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Questão FC559302

cadê minha binga, meu vidro de café?

Semântica

CEV UECE · 2025

LEITURA

Adélia Prado

 

Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras.

As macieiras tinham maçãs temporãs, a casca vermelha

de escuríssimo vinho, o gosto caprichado das coisas

fora do seu tempo desejadas.

Ao longo do muro eram talhas de barro.

Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo

que lá fora o mundo havia parado de calor.

Depois encontrei meu pai, que me fez festa

e não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria,

os lábios de novo e a cara circulados de sangue,

caçava o que fazer pra gastar sua alegria:

onde está meu formão, minha vara de pescar,

cadê minha binga, meu vidro de café?

Eu sempre sonho que uma coisa gera,

nunca nada está morto.

O que não parece vivo, aduba.

O que parece estático, espera.

 

PRADO, Adélia. Leitura. In: PRADO, Adélia. Poesia reunida.

Rio de Janeiro: Record, 2011.

 

Os artigos – definidos e indefinidos –, para além de sua função morfológica e sintática, estabelecem efeitos de sentido específicos. Analise os trechos “Era um quintal ensombrado e “[...] a casca vermelha” em relação aos diferentes efeitos de sentido gerados pelos artigos e assinale a afirmação verdadeira.

  1. O uso dos artigos é intercambiável, desde que sejam realizadas as adaptações de gênero e número, uma vez que o texto se trata de um poema, e o efeito de sentido é estilístico.
  2. A função do artigo no primeiro caso é a de construir familiaridade e reconhecimento. No segundo caso, o artigo contribui para distanciar o leitor do referente.
  3. O artigo, no primeiro caso, funciona como pronome possessivo, e o segundo remete aos demais elementos do texto para a construção do sentido.
  4. No primeiro caso, o efeito de sentido é de inexatidão para a localização na memória do eu lírico. Já no segundo, o artigo especifica um elemento da maçã – a casca.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Indefinido: em "Era um quintal ensombrado" o artigo marca inexatidão e não identificação precisa. O eu lírico apresenta o espaço como um entre outros, lembrado de forma vaga; o foco recai sobre a qualidade atmosférica do lugar, não sobre sua localização exata na memória.


Definido: em "[...] a casca vermelha" o artigo aponta para um elemento concreto e identificável da maçã. A palavra casca é tratada como referente determinado, salientando essa parte específica do fruto e qualificando-a como característica relevante.


Assim, o contraste entre os artigos produz efeitos distintos: o indefinido gera indeterminação e distância mnemônica; o definido centra e especifica um aspecto do objeto descrito.

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