Questão FC559305
cadê minha binga, meu vidro de café?
Sintaxe
CEV UECE · 2025
LEITURA
Adélia Prado
Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras.
As macieiras tinham maçãs temporãs, a casca vermelha
de escuríssimo vinho, o gosto caprichado das coisas
fora do seu tempo desejadas.
Ao longo do muro eram talhas de barro.
Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo
que lá fora o mundo havia parado de calor.
Depois encontrei meu pai, que me fez festa
e não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria,
os lábios de novo e a cara circulados de sangue,
caçava o que fazer pra gastar sua alegria:
onde está meu formão, minha vara de pescar,
cadê minha binga, meu vidro de café?
Eu sempre sonho que uma coisa gera,
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera.
PRADO, Adélia. Leitura. In: PRADO, Adélia. Poesia reunida.
Rio de Janeiro: Record, 2011.
O termo destacado na expressão “Depois encontrei meu pai, que me fez festa”, classifica-se, em relação ao verbo “encontrei”, como
- predicado.
- objeto indireto.
- objeto direto.
- sujeito.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Meu pai funciona como objeto direto do verbo encontrei. O verbo "encontrar" aqui é transitivo direto, ou seja, exige um complemento que recebe a ação sem o uso de preposição.
Para identificar, pergunte-se encontrei quem? A resposta é "meu pai", portanto é o termo que completa o sentido do verbo.
Outro teste: substitua por pronome oblíquo átono: "encontrei-o" ou coloque o pronome átono antes do verbo: "o encontrei". Essa substituição confirma tratar‑se de objeto direto, pois o complemento admite o pronome o sem preposição.
A oração relativa "que me fez festa" apenas qualifica "meu pai" e não altera sua função sintática como objeto direto.
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