Questão FC559306
cadê minha binga, meu vidro de café?
Sintaxe
CEV UECE · 2025
LEITURA
Adélia Prado
Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras.
As macieiras tinham maçãs temporãs, a casca vermelha
de escuríssimo vinho, o gosto caprichado das coisas
fora do seu tempo desejadas.
Ao longo do muro eram talhas de barro.
Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo
que lá fora o mundo havia parado de calor.
Depois encontrei meu pai, que me fez festa
e não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria,
os lábios de novo e a cara circulados de sangue,
caçava o que fazer pra gastar sua alegria:
onde está meu formão, minha vara de pescar,
cadê minha binga, meu vidro de café?
Eu sempre sonho que uma coisa gera,
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera.
PRADO, Adélia. Leitura. In: PRADO, Adélia. Poesia reunida.
Rio de Janeiro: Record, 2011.
A função da vírgula no trecho: “Eu sempre sonho que uma coisa gera, nunca nada está morto.” é
- indicar a elipse de verbo ou de expressão inteira.
- separar orações coordenadas.
- separar orações intercaladas.
- isolar orações adjetivas restritivas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A vírgula no trecho cumpre a função de separar orações coordenadas. Ela marca a divisão entre duas unidades oracionais que têm valor sintático equivalente e articulam ideias distintas.
Na prática, a sequência "Eu sempre sonho que uma coisa gera" constitui a primeira unidade (oração principal com oração subordinada completando o sentido) e "nunca nada está morto" é outra oração assertiva. A vírgula isola essas duas unidades.
Trata-se de coordenação assindética, ou seja, as orações estão coordenadas sem conjunção; a vírgula funciona como sinal de pausa e separação entre elas, indicando continuidade e relação entre as ideias.
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