Questão FC576016
As duas estrofes a seguir iniciam o poema Y-Juca-Pyrama de Gonçalves Dias, publicado em 1851. No meio das tabas de amenos verdores Cercadas de troncos – cobertos de flores, Alteião
Ortografia
NC UFPR (FUNPAR) · 2016
As duas estrofes a seguir iniciam o poema Y-Juca-Pyrama de Gonçalves Dias, publicado em 1851.
No meio das tabas de amenos verdores Cercadas de troncos – cobertos de flores, Alteião-se os tectos d’altiva nação; São muitos seus filhos, nos animos fortes, Temiveis na guerra, que em densas cohortes Assombrão das matas a imensa extensão
São rudes, severos, sedentos de gloria, Já prelios incitão, já cantão victoria, Já meigos attendem a voz do cantor: São todos tymbiras, guerreiros valentes! Seu nome la vôa na bocca das gentes, Condão de prodigios, de gloria e terror!
Últimos Cantos, Gonçalves Dias
Nesse trecho, o poeta apresenta a tribo dos timbiras. Constatamos, sem dificuldades, que a ortografia da época era, em muitos aspectos, diferente da que usamos atualmente. Tendo isso em vista, considere as seguintes afirmativas:
1. As palavras paroxítonas terminadas em ditongo não eram acentuadas naquela época, diferentemente de hoje.
2. As formas verbais se alternam entre presente e futuro do presente do indicativo, com a mesma terminação.
3. A 3ª pessoa do plural dos verbos do presente do indicativo se diferencia graficamente da forma atual.
4. Os monossílabos tônicos perderam o acento na ortografia contemporânea.
Assinale a alternativa correta.
- Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
- Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
- Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
- Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
- As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
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Gabarito
B
Comentário do professor
As afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
No século XIX, a ortografia não marcava com acento gráfico as palavras paroxítonas terminadas em ditongo. Por isso aparecem no texto formas sem acento como temiveis, gloria, victoria, prodigios, que hoje exigem acento: temíveis, glória, vitória, prodígios. Esse fato confirma a diferença histórica na acentuação.
Quanto à grafia verbal, a 3ª pessoa do plural do presente era escrita com o ditongo nasal -ão em obras antigas (alteião, assombrão, cantão, incitão), enquanto na norma atual essa desinência gráfica é -am (alteiam, assombram, cantam, incitam). Essa variação confirma a mudança ortográfica entre as épocas.
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