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Questão FC576076

A insegurança alimenta o medo. Não surpreende que a guerra contra a insegurança ocupe lugar de destaque na lista de prioridades dos planejadores urbanos; ou pelo menos estes acredi

Morfologia

NC UFPR (FUNPAR) · 2021

     A insegurança alimenta o medo. Não surpreende que a guerra contra a insegurança ocupe lugar de destaque na lista de prioridades dos planejadores urbanos; ou pelo menos estes acreditam que deveria e, se indagados, insistem nisso. O problema, porém, é que, quando a insegurança se vai, a espontaneidade, a flexibilidade, a capacidade de surpreender e a oferta de aventuras, principais atrações da vida urbana, também tendem a desaparecer das ruas da cidade. A alternativa à insegurança não é a bênção da tranquilidade, mas a maldição do tédio. É possível superar o medo e ao mesmo tempo fugir do tédio? Pode-se suspeitar __________ esse quebra-cabeça seja o maior dilema a confrontar os planejadores e arquitetos urbanos – um dilema ainda sem uma solução convincente, satisfatória e incontestada, uma questão __________ talvez não se possa achar uma resposta plenamente adequada, mas que (talvez pela mesma razão) continuará estimulando arquitetos e planejadores a produzir experimentos cada vez mais radicais e invenções cada vez mais ousadas.

     Desde o início, as cidades têm sido lugares __________ estranhos convivem em estreita proximidade, embora permanecendo estranhos. A companhia de estranhos é sempre assustadora (ainda que nem sempre temida), já que faz parte da natureza dos estranhos, diferentemente tanto dos amigos quanto dos inimigos, que suas intenções, maneiras de pensar e reações a condições comuns sejam desconhecidas ou não conhecidas o suficiente __________ se possa calcular as probabilidades de sua conduta. Uma reunião de estranhos é um lócus de imprevisibilidade endêmica e incurável. Pode-se dizer isso de outra forma: os estranhos incorporam o risco. Não há risco sem pelo menos algum resquício de medo de um dano ou perda, mas sem risco também não há chance de ganho ou triunfo. Por essa razão, os ambientes carregados de risco não podem deixar de ser vistos como locais de intensa ambiguidade, o que, por sua vez, não deixa de evocar atitudes e reações ambivalentes. Os ambientes repletos de risco simultaneamente atraem e repelem, e o ponto __________ uma reação se transforma no seu oposto é eminentemente variável e mutante, virtualmente impossível de apontar com segurança, que dirá de fixar.

(BAUMAN, Zygmunt. Vida líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. Adaptado.)

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas acima, na ordem em que aparecem no texto.

  1. de que – a qual – aonde – que – onde.
  2. que – que – onde – a que – no qual.
  3. que – em que – que – que – aonde.
  4. de que – na qual – nos quais – em que – que.
  5. que – para a qual – em que – para que – em que.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Gabarito: que – para a qual – em que – para que – em que.

Primeira lacuna: que introduz uma oração subordinada substantiva objetiva indireta. A preposição de é facultativa, por isso apenas que basta para completar a construção.

Segunda lacuna: usa-se para a qual porque achar uma resposta rege a preposição para, e o pronome relativo concorda em gênero com questão (feminino).

Terceira lacuna: em que estabelece relação de lugar, ligando o substantivo referente ao contexto espacial onde os estranhos convivem.

Quarta lacuna: para que expressa finalidade, iniciando oração subordinada adverbial final: finalidade de calcular probabilidades.

Quinta lacuna: em que retoma o substantivo ponto, indicando o lugar conceitual em que uma reação muda para seu oposto.

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