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Questão FC576089

Furto de flor Carlos Drummond de Andrade Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo

Morfologia

NC UFPR (FUNPAR) · 2023

Furto de flor

 

Carlos Drummond de Andrade

 

Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água.

 

Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

 

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo eu o autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

 

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

 

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!

 

Andrade, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record, 1991. Adaptado.

 

Considere as seguintes orações:

 

1. Eu furtei a flor do jardim.

 

2. Eu cuidei da flor, mas ela morreu.

 

Assinale a alternativa que integra coesa e coerentemente, sem alteração de sentido, essas orações num único período.

  1. Apesar de eu ter cuidado da flor que furtei do jardim, ela morreu.
  2. A flor que eu furtei do jardim morreu enquanto eu cuidava dela.
  3. Eu cuidei da flor que morreu quando a furtei do jardim.
  4. Mesmo furtando a flor do jardim, ela morreu depois que cuidei dela.
  5. Eu cuidei da flor que furtei do jardim mesmo quando ela morreu.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Apesar de introduz uma relação concessiva: contrapõe a ação de cuidar ao resultado inesperado (a morte). Assim, o período expressa que, mesmo havendo cuidado, ocorreu o fato adverso.

A oração subordinada “de eu ter cuidado da flor” preserva o sujeito e a ação original (“Eu cuidei da flor”), enquanto a oração relativa “que furtei do jardim” incorpora a informação sobre a origem da flor (“Eu furtei a flor do jardim”), atribuindo-a ao substantivo flor sem alterar sentido.

Por fim, a oração principal “ela morreu” mantém o enunciado final intacto. A construção conserva sequência temporal e referência coesa (ela = flor), unindo as duas orações iniciais de forma clara e econômica.

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