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Questão FC576263

Furto de flor Carlos Drummond de Andrade Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo

Sintaxe

NC UFPR (FUNPAR) · 2023

Furto de flor

 

Carlos Drummond de Andrade

 

Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água.

 

Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

 

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo eu o autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

 

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

 

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!

 

Andrade, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record, 1991. Adaptado.

 

Sujeito oculto “é aquele que não está materialmente expresso na oração, mas pode ser identificado”.

 

Cunha, C.; Cintra, L.F.L. Nova gramática do português contemporâneo.

3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 127.

 

No texto, são orações ou períodos com sujeito oculto, EXCETO:

  1. “Furtei uma flor daquele jardim”
  2. “Logo senti que ela não estava feliz”
  3. “Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia [...]”
  4. ”Sendo eu o autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la”
  5. “Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara”
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Gabarito

D

Comentário do professor

"Sendo eu o autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la" não apresenta sujeito oculto porque o sujeito está materialmente expresso pelo pronome eu, presente tanto na oração reduzida ("Sendo eu o autor...") quanto na oração principal ("eu assumira...").

Na gramática, sujeito oculto ocorre quando o núcleo não aparece na oração e é identificado apenas pela desinência verbal. Aqui não há omissão: o pronome pessoal realiza o papel de sujeito, tornando-o sujeito expresso.

Portanto, a presença explícita de eu impede classificar essas orações como de sujeito oculto.

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