Questão FC576268
O texto a seguir é referência para a questão. Destruição criativa 2.0 Hélio Schwartsman Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial (IA) vai destruir o mundo. Digo-o
Sintaxe
NC UFPR (FUNPAR) · 2024
O texto a seguir é referência para a questão.
Destruição criativa 2.0
Hélio Schwartsman
Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial (IA) vai destruir o mundo. Digo-o não porque tenha conhecimento privilegiado do porvir – em tese, é perfeitamente possível que as IAs sejam nossa ruína –, mas porque sei que, diante do novo, nossa tendência é sempre a de exagerar os perigos. Quem quiser uma confirmação empírica disso pode pegar nas coleções de jornais os artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980 que comentavam o advento dos bebês de proveta, que hoje não despertam mais polêmica.
Daí não decorre que devamos tratar as IAs com ligeireza. É uma mudança tecnológica de enorme potencial e que terá impactos, em especial sobre o emprego. Já vimos antes a chamada destruição criadora em ação. Mas, ao que tudo indica, desta vez, a aniquilação de postos de trabalho se dará em escala maior e atingirá também funções criativas ocupadas pelas elites intelectuais, que foram poupadas em viragens tecnológicas anteriores.
O “big picture”, porém, talvez não seja dos piores. Tanto Marx como Keynes anteviram um mundo em que as mudanças tecnológicas avançariam tanto que resolveriam o problema econômico da humanidade, isto é, as máquinas produziriam sozinhas e de graça tudo o que necessitamos, de comida a bens industrializados, passando por vários tipos de serviço. A dificuldade é que, como isso não vai acontecer da noite para o dia, devemos esperar uma transição complicada. E complicada não apenas em termos econômicos e sociais mas também psicológicos.
Quando conhecemos uma pessoa, uma das primeiras perguntas que lhe dirigimos é “o que você faz?”. Vivemos em sociedades em que os indivíduos se definem em larga medida por sua profissão. Tirar isso deles pode provocar um vazio existencial. É até possível que, com o problema econômico resolvido, passemos a extrair transcendência de outras atividades. Imagine um mundo de artistas. Mas isso vai exigir uma revolução anímica.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2023/09/destruicao-criativa-20.shtml.
anímica: que é próprio da alma
Releia a seguinte sentença:
Quem quiser uma confirmação empírica disso pode pegar nas coleções de jornais os artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980 que comentavam o advento dos bebês de proveta, que hoje não despertam mais polêmica.
O termo “que”, destacado, é relativo a:
- “confirmação empírica disso”.
- “coleções de jornais”.
- “artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980”.
- “comentavam o advento dos bebês de proveta”.
- “que hoje não despertam mais polêmica”.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Que é um pronome relativo cujo antecedente é a expressão "artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980". Ele retoma esse núcleo nominal e introduz a oração relativa "que comentavam o advento dos bebês de proveta".
Gramaticalmente, que concorda com o antecedente no número plural, pois o verbo "comentavam" está no plural, o que confirma que o pronome se refere a "artigos".
Semântico e sintaticamente, faz sentido: os artigos são os elementos capazes de "comentar" um acontecimento. A ausência de vírgula antes de que também indica que se trata de uma oração relativa restritiva, especificando quais artigos são mencionados.
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