Questão FC576279
O texto a seguir é referência para a questão. Destruição criativa 2.0 Hélio Schwartsman Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial (IA) vai destruir o mundo. Digo-o
Sintaxe
NC UFPR (FUNPAR) · 2024
O texto a seguir é referência para a questão.
Destruição criativa 2.0
Hélio Schwartsman
Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial (IA) vai destruir o mundo. Digo-o não porque tenha conhecimento privilegiado do porvir – em tese, é perfeitamente possível que as IAs sejam nossa ruína –, mas porque sei que, diante do novo, nossa tendência é sempre a de exagerar os perigos. Quem quiser uma confirmação empírica disso pode pegar nas coleções de jornais os artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980 que comentavam o advento dos bebês de proveta, que hoje não despertam mais polêmica.
Daí não decorre que devamos tratar as IAs com ligeireza. É uma mudança tecnológica de enorme potencial e que terá impactos, em especial sobre o emprego. Já vimos antes a chamada destruição criadora em ação. Mas, ao que tudo indica, desta vez, a aniquilação de postos de trabalho se dará em escala maior e atingirá também funções criativas ocupadas pelas elites intelectuais, que foram poupadas em viragens tecnológicas anteriores.
O “big picture”, porém, talvez não seja dos piores. Tanto Marx como Keynes anteviram um mundo em que as mudanças tecnológicas avançariam tanto que resolveriam o problema econômico da humanidade, isto é, as máquinas produziriam sozinhas e de graça tudo o que necessitamos, de comida a bens industrializados, passando por vários tipos de serviço. A dificuldade é que, como isso não vai acontecer da noite para o dia, devemos esperar uma transição complicada. E complicada não apenas em termos econômicos e sociais mas também psicológicos.
Quando conhecemos uma pessoa, uma das primeiras perguntas que lhe dirigimos é “o que você faz?”. Vivemos em sociedades em que os indivíduos se definem em larga medida por sua profissão. Tirar isso deles pode provocar um vazio existencial. É até possível que, com o problema econômico resolvido, passemos a extrair transcendência de outras atividades. Imagine um mundo de artistas. Mas isso vai exigir uma revolução anímica.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2023/09/destruicao-criativa-20.shtml.
anímica: que é próprio da alma
Considere a seguinte sentença extraída do texto:
“Quando conhecemos uma pessoa, uma das primeiras perguntas que lhe dirigimos é ‘o que você faz?’”.
Considere as seguintes propostas de substituição do trecho destacado:
1. que dirigimos a ela
2. que dirigimos a essa pessoa
3. que a dirigimos
Pode(m) substituir corretamente o trecho destacado:
- 1, apenas.
- 2, apenas.
- 1 e 2, apenas.
- 1 e 3, apenas.
- 1, 2 e 3.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Certo
Comentário do professor
As opções 1 e 2 estão corretas porque mantêm a mesma estrutura sintática e o mesmo sentido de "que lhe dirigimos".
Na oração, "que" retoma perguntas como objeto direto do verbo dirigir, enquanto o destinatário da pergunta aparece como complemento preposicionado (a alguém).
Substituir "lhe" por "a ela" (opção 1) ou por "a essa pessoa" (opção 2) mantém o complemento preposicionado que indica o destinatário e preserva a clareza da frase.
Além disso, "a essa pessoa" é mais expressivo e explícito, enquanto "a ela" cumpre a mesma função pronominal de forma concisa.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em