Questão FC576417
O texto a seguir é referência para a questão. Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka. Curioso: por que e
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
NC UFPR (FUNPAR) · 2024
O texto a seguir é referência para a questão.
Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka. Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”, se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e até maternais, decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar . O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento. Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.
Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas, na ordem em que aparecem no texto.
- aonde – mas – o que – quê
- aonde – mas – a qual – em que
- aonde – então – do quê – que
- onde – então – em que – do qual
- onde – mas – o quê – em que
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Onde ocupa a lacuna da exclamação “Onde já se viu tratar professora pelo primeiro nome?” Aqui funciona como partícula exclamativa com sentido locativo-transferido: indica surpresa sobre uma situação.
Mas liga ideias opostas. Em “podiam ser boas e até maternais, mas decididamente não eram nossas tias” exerce a função de conjunção adversativa, contrapondo as duas características.
O quê aparece após o verbo “lembrar” no final da oração: “não consigo lembrar o quê.” A forma com acento é usada quando o termo vem isolado ou em posição final; funciona como objeto direto interrogativo/indeterminado.
Em que introduz a oração relativa temporal em “as vezes em que um passarinho...”, relacionando as ocasiões às quais o predicado se refere.
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