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Questão FC576487

O texto a seguir é referência para a questão. Destruição criativa 2.0 Hélio Schwartsman Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial (IA) vai destruir o mundo. Digo-o

Linguagem

NC UFPR (FUNPAR) · 2024

O texto a seguir é referência para a questão.

 

Destruição criativa 2.0

 

Hélio Schwartsman

 

Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial (IA) vai destruir o mundo. Digo-o não porque tenha conhecimento privilegiado do porvir – em tese, é perfeitamente possível que as IAs sejam nossa ruína –, mas porque sei que, diante do novo, nossa tendência é sempre a de exagerar os perigos. Quem quiser uma confirmação empírica disso pode pegar nas coleções de jornais os artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980 que comentavam o advento dos bebês de proveta, que hoje não despertam mais polêmica.

 

Daí não decorre que devamos tratar as IAs com ligeireza. É uma mudança tecnológica de enorme potencial e que terá impactos, em especial sobre o emprego. Já vimos antes a chamada destruição criadora em ação. Mas, ao que tudo indica, desta vez, a aniquilação de postos de trabalho se dará em escala maior e atingirá também funções criativas ocupadas pelas elites intelectuais, que foram poupadas em viragens tecnológicas anteriores.

 

O “big picture”, porém, talvez não seja dos piores. Tanto Marx como Keynes anteviram um mundo em que as mudanças tecnológicas avançariam tanto que resolveriam o problema econômico da humanidade, isto é, as máquinas produziriam sozinhas e de graça tudo o que necessitamos, de comida a bens industrializados, passando por vários tipos de serviço. A dificuldade é que, como isso não vai acontecer da noite para o dia, devemos esperar uma transição complicada. E complicada não apenas em termos econômicos e sociais mas também psicológicos.

 

Quando conhecemos uma pessoa, uma das primeiras perguntas que lhe dirigimos é “o que você faz?”. Vivemos em sociedades em que os indivíduos se definem em larga medida por sua profissão. Tirar isso deles pode provocar um vazio existencial. É até possível que, com o problema econômico resolvido, passemos a extrair transcendência de outras atividades. Imagine um mundo de artistas. Mas isso vai exigir uma revolução anímica.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2023/09/destruicao-criativa-20.shtml.

 

anímica: que é próprio da alma

 

Assinale a alternativa que apresenta uma expressão utilizada em linguagem figurada no texto.

  1. “Não compro muito a ideia”
  2. “conhecimento privilegiado do porvir”
  3. “exagerar os perigos”
  4. “advento dos bebês de proveta”
  5. “viragens tecnológicas”
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Gabarito

A

Comentário do professor

“Não compro muito a ideia” é expressão usada em linguagem figurada. Literalmente, comprar remete à aquisição com dinheiro; aqui, o verbo é transferido para o plano das opiniões: significa não aceitar ou não concordar com a proposição apresentada.


No contexto do texto, o locutor manifesta ceticismo em relação às previsões apocalípticas sobre a inteligência artificial. A expressão funciona como um recurso coloquial e argumentativo que suaviza a discordância, tornando-a mais pessoal e comunicativa.


Trata‑se, portanto, de uma metáfora lexicalizada, comum no registro informal, que desloca um verbo do campo econômico para o campo das atitudes intelectuais, cumprindo papel pragmático de posicionamento do enunciador.

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