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Questão FC576488

O texto a seguir é referência para a questão. [...] O Brasil linguístico que vigorou até meados do século XVIII, no qual as línguas gerais ocupavam um espaço definitivo e se difund

Linguagem

NC UFPR (FUNPAR) · 2023

O texto a seguir é referência para a questão.

 

[...] O Brasil linguístico que vigorou até meados do século XVIII, no qual as línguas gerais ocupavam um espaço definitivo e se difundiam rumo ao sertão a partir de dois grandes núcleos, Amazônia e entorno de São Paulo, acabou sendo substituído por um espraiamento do português vinculado diretamente ao Nordeste, à lavoura que se servia da mão de obra escrava, aos negros africanos. Nessa situação, fica nítido que eles teriam sido a linha de frente da real lusitanização do território, ao mesmo tempo que iam transformando a língua aprendida numa coisa efetivamente nova, depois levada para outros pontos do país à medida que os ciclos econômicos se sucediam, cada um com seu centro num ponto diferente do território.

Se é para pensarmos no português brasileiro como algo que se encontra num caldeirão, é preciso reconhecer quanto o conteúdo desse caldeirão teve que ser mexido e remexido para produzir nossa atual paisagem linguística. E é preciso reconhecer também que os primeiros e mais importantes desses movimentos foram determinados pela grande massa de falantes africanos que iam carregando e modificando essa língua durante todo o processo. Refundado e recaracterizado por eles.

Apesar das adversidades, foi a língua falada por negros e mestiços que dominou o Brasil. Somos um país que fala português como fruto direto dessa presença negra.

Talvez caiba deixar de lado por um momento a bela ideia da “última flor do Lácio”. O português brasileiro foi um broto africano, flor de Luanda.

GALINDO, Caetano. Latim em pó. Companhia das Letras, 2023. p. 181-182.

 

lusitanização: diz-se das coisas referentes à colonização portuguesa. In: https://www.dicionarioinformal.com.br/

última flor do Lácio: a expressão “Última flor do Lácio, inculta e bela” é o primeiro verso de um famoso poema de Olavo Bilac, poeta brasileiro que viveu no período de 1865 a 1918, e refere-se à filiação da língua portuguesa ao latim. In: https://www.jussiup.com.br/2019/04/ultima-flor-do-lacioinculta- e-bela.html

Luanda: capital de Angola, costa oeste da África do Sul

 

Sobre palavras e expressões presentes no texto, é correto afirmar:

  1. Na expressão “negros africanos” temos um caso de tautologia.
  2. O vocábulo “coisa”, no segmento “uma coisa inteiramente nova”, tem a ver com a natureza incorpórea da língua.
  3. A figura do caldeirão justifica-se, no texto, pela capacidade de transformação da língua.
  4. No segmento “à medida que os ciclos econômicos se sucediam”, o vocábulo “sucediam” pode ser substituído, sem prejuízo do sentido básico do texto, por “obtinham sucesso”.
  5. No segmento “as línguas gerais ocupavam um espaço definitivo e se difundiam”, o vocábulo “difundiam” pode ser substituído, sem prejuízo do sentido básico do texto, por “misturavam”.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Caldeirão funciona no texto como metáfora da mistura dinâmica: não é apenas um recipiente, mas um processo em que elementos se combinam e se modificam.

A imagem sugere ingredientes diversos sendo continuamente agitados, o que enfatiza a ideia de transformação da língua por contatos e usos sociais.

O autor reforça isso ao escrever que o "conteúdo desse caldeirão teve que ser mexido e remexido" e que a língua foi "refundada e recaracterizada" pelos falantes africanos.

Assim, a figura do caldeirão justifica-se porque ilustra precisamente a capacidade do português de se transformar historicamente através da interação entre línguas e povos.

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