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Questão FC576493

O texto a seguir é referência para a questão. Nos atuais debates sobre a globalização, como nas discussões sobre a pós-modernidade, existe uma pressuposição-chave compartilhada pel

Linguagem

NC UFPR (FUNPAR) · 2021

O texto a seguir é referência para a questão.

Nos atuais debates sobre a globalização, como nas discussões sobre a pós-modernidade, existe uma pressuposição-chave compartilhada pela maioria dos participantes: a do caráter único da nossa época como a era par excellence da aceleração da mudança cultural e social, da “compressão do tempo-espaço” seguindo uma revolução nas comunicações, de uma economia global dominada por corporações multinacionais, da americanização ou até da “McDonaldização” do mundo e assim por diante. Em alguns aspectos, nossa época é realmente única, mas assim o foram outras gerações e outros séculos. Estamos longe de ser as primeiras pessoas a ficarem preocupadas ou excitadas pela ideia de que nossas experiências são muito diferentes daquelas das gerações passadas. De fato, se definirmos globalização como um processo de contatos cada vez mais intensos – sejam econômicos, políticos ou culturais – entre diferentes partes do mundo, então é necessário admitir que esse processo vem se desenvolvendo há milhares de anos – com interrupções relativamente menores em alguns lugares, como no Império Romano em declínio. Que esse processo de interação entre diferentes partes do globo aumentou sensivelmente em importância no século XIX, especialmente no fim do período, é o tema de dois recentes estudos históricos, de um escritor italiano e de outro, inglês. O primeiro apresenta dois tipos de globalização: a econômica, relacionada ao surgimento de um mercado mundial e suas consequências para a vida de milhões de pessoas; e a ascensão da cooperação internacional. Já o escritor inglês se refere à importância do que chama de “globalização arcaica”, ou seja, a crescente uniformidade nos sistemas econômicos, sociais, políticos e culturais dominantes em diferentes partes do globo num longo século XIX que vai de 1780 a 1914. Perto do fim do estudo, o inglês enfatiza a importância especial do fim do século XIX, ou mais exatamente do período 1890-1914, a época do que chama a “grande aceleração” da mudança.

(Peter Burke. Quando foi a globalização? In: O historiador como colunista: ensaios da Folha. RJ: Civilização Brasileira, 2009. Adaptado.)

A figura de linguagem correspondente à expressão “McDonaldização” do mundo no texto é:

  1. uma personificação das empresas multinacionais.
  2. uma metáfora da capilarização das empresas multinacionais.
  3. um paradoxo sobre a distribuição mundial de alimentos.
  4. uma alegoria sobre as redes de alimentação fast food.
  5. um eufemismo sobre a obesidade mundial crescente.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Metáfora: ao usar "McDonaldização" o autor não fala literalmente da cadeia de restaurantes, mas estabelece uma comparação implícita entre o fenômeno McDonald’s e o processo de expansão das corporações globais. A palavra funciona como imagem que resume ideias de padronização, difusão e presença onipresente.

Capilarização refere-se à penetração ampla e fragmentada no tecido social e econômico, como se redes empresariais alcançassem todos os cantos do mundo. A expressão sugere uniformização de hábitos, produtos e modelos de gestão por meio dessa difusão.

Portanto McDonaldização é uma metáfora eficaz para caracterizar a expansão e a homogeneização cultural e econômica promovidas pelas multinacionais.

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