Questão FC576524
Não é só sobre diversidade Ana Cristina Rosa É crescente o número de corporações que têm dedicado atenção à diversidade, tendência que vem balizando os mercados contemporâneos. Não
Interpretação de Textos (Compreensão)
NC UFPR (FUNPAR) · 2023
Não é só sobre diversidade
Ana Cristina Rosa
É crescente o número de corporações que têm dedicado atenção à diversidade, tendência que vem balizando os mercados contemporâneos. Não por acaso, atualmente esse também é um dos fatores determinantes para atrair investidores. No começo do ano, o tema ganhou destaque no setor público, que abriu espaços inéditos para indígenas, negros e mulheres em postos de gestão. Ainda assim, é importante que se diga que seguimos muito distantes de alcançar um nível de correspondência com a demografia nacional.
Levantamento recente apontou que apenas 14% dos cargos de primeiro escalão dos governos estaduais são comandados por pessoas pretas e pardas, que compõem 56% da população brasileira, segundo o IBGE. Além disso, pequenas e médias empresas, que são as maiores empregadoras no país, em geral não possuem ações voltadas à diversidade e inclusão.
Pode-se dizer que as mudanças ainda estão restritas ao plano simbólico. Na prática, a maioria das ações é superficial, desconectada da estratégia de negócios e não resulta em alteração de estruturas ou em políticas públicas.
Evidente que diversificar os perfis dos profissionais no mercado de trabalho é fundamental. Mas simplesmente empregar um negro, um indígena ou uma mulher, por si só, não resolve tudo. Não é apenas sobre diversidade nas contratações. É também sobre uma mudança de cultura organizacional para incluir todas as pessoas. As contratações não podem ser reflexo exclusivo de uma tendência de mercado. Nesse sentido, a carência de mecanismos efetivos para colocar um freio de arrumação no abismo alimentado pelas conhecidas desigualdades é enorme. Tanto que profissionais negros ocupam menos de 5% dos cargos de liderança nas empresas.
Afinal, o que está sendo feito para criar uma cultura inclusiva dentro das instituições? O antirracismo faz parte da cultura organizacional? Por banal que pareça, por vezes é necessário indagar o óbvio.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ana-cristina-rosa/2023/02/nao-e-so-sobre-diversidade.shtml. Adaptado.
É intenção do texto:
- delinear o perfil dos trabalhadores brasileiros.
- entrevistar as empresas que promovem ações inclusivas.
- informar o número percentual de pessoas pretas e pardas da população brasileira.
- divulgar as ações de inclusão praticadas pelas empresas que empregam pessoas negras.
- alertar sobre a necessidade de mudança de cultura organizacional a fim de promover a inclusão.
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Comentário do professor
O texto tem como intenção principal alertar para a necessidade de transformação das práticas internas das instituições, visando a efetiva inclusão.
A autora mostra que a atenção à diversidade tem crescido, mas permanece muitas vezes simbólica, sem alterar estruturas ou políticas. Dados citados evidenciam a baixa representatividade de negros e indígenas em cargos de comando, o que reforça a insuficiência de contratações isoladas.
Assim, o foco recai sobre a urgência de promover uma mudança de cultura organizacional, incorporando o antirracismo e políticas efetivas que transformem oportunidades e poder dentro das instituições.
Portanto, a mensagem central é um alerta para que a inclusão deixe de ser retórica e se torne prática estrutural.
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