Questão FC576537
O texto a seguir é referência para a questão. O tédio profundo O excesso de positividade se manifesta também como excesso de estímulos, informações e impulsos. Modifica radicalment
Interpretação de Textos (Compreensão)
NC UFPR (FUNPAR) · 2022
O texto a seguir é referência para a questão.
O tédio profundo
O excesso de positividade se manifesta também como excesso de estímulos, informações e impulsos. Modifica radicalmente a estrutura e economia da atenção. Com isso se fragmenta e destrói a atenção. Também a crescente sobrecarga de trabalho torna necessária uma técnica específica relacionada ao tempo e à atenção, que tem efeitos novamente na estrutura da atenção. A técnica temporal e de atenção multitasking (multitarefa) não representa nenhum progresso civilizatório. A multitarefa não é uma capacidade para a qual só seria capaz o homem na sociedade trabalhista e de informação pós-moderna. Trata-se antes de um retrocesso. A multitarefa está amplamente disseminada entre os animais em estado selvagem. Trata-se de uma técnica de atenção, indispensável para sobreviver na vida selvagem.
Um animal ocupado no exercício da mastigação de sua comida tem de ocupar-se ao mesmo tempo com outras atividades. Deve cuidar para que, ao comer, ele próprio não acabe comido. Na vida selvagem, o animal está obrigado a dividir sua atenção em diversas atividades. Por isso, não é capaz de aprofundamento contemplativo – nem para comer, nem no copular. O animal não pode mergulhar contemplativamente no que tem diante de si, pois tem de elaborar ao mesmo tempo o que tem atrás de si. Não apenas a multitarefa, mas também atividades como jogos de computador geram uma atenção ampla, mas rasa, que se assemelha à atenção de um animal selvagem. As mais recentes evoluções sociais e a mudança de estrutura da atenção aproximam cada vez mais a sociedade humana da vida selvagem.
(Extraído e Adaptado de: HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017. p. 31-32.)
Assinale a alternativa que recupera a tese central do texto de Byung-Chul Han.
- A vida na sociedade pós-moderna é mais diversificada que a de épocas mais remotas e não apresentou progresso civilizatório.
- A sociedade humana, assim como a vida selvagem, exige a execução de multitarefas, por isso não desenvolve a contemplação.
- A estrutura da atenção humana em relação ao controle do tempo para execução de múltiplas tarefas foi redimensionada positivamente.
- A sobrecarga de tarefas demanda atenção específica e tempo dispendido diferenciado tanto para a vida selvagem quanto para a sociedade humana.
- As mudanças na estrutura de atenção humana, atualmente, ao invés de serem um ganho civilizatório apresentam um retorno ao comportamento animal.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A alternativa afirma que as mudanças recentes na estrutura da atenção não representam um avanço civilizatório, mas sim um retorno ao comportamento animal. Essa ideia recupera a tese central do texto de Byung-Chul Han.
O autor mostra que o excesso de estímulos, informações e positividade fragmenta a atenção, exigindo uma técnica temporal: a multitarefa. Essa técnica não é sinal de progresso, mas de adaptação a uma condição de vigilância contínua.
Na vida selvagem a atenção é ampla e rasa para garantir a sobrevivência. O texto argumenta que a sociedade contemporânea, pela sobrecarga e pela cultura do estímulo, aproxima-se dessa mesma forma de atenção: atenção fragmentada, sem aprofundamento contemplativo.
Assim, a tese central é que a transformação da atenção humana constitui um retrocesso, uma espécie de retorno ao comportamento animal, e não um ganho civilizatório.
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