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Questão FC576544

Geopolítica, a hora do retorno Há discussões acadêmicas que, infelizmente, são colocadas em segundo plano A) até o momento em que ocorre um evento catastrófico e toda aquela bagage

Interpretação de Textos (Compreensão)

NC UFPR (FUNPAR) · 2022

Geopolítica, a hora do retorno

 

Há discussões acadêmicas que, infelizmente, são colocadas em segundo plano A) até o momento em que ocorre um evento catastrófico e toda aquela bagagem teórico-conceitual é acionada para tentar entender o que o empírico impõe. Foi preciso, mais uma vez, que uma superpotência militar demonstrasse na prática que a geopolítica está viva, para que geógrafos e outros colegas voltassem para os debates que estavam cobertos por uma poeira empobrecedora.

 

Não somente na academia, mas é visível como o público em geral está buscando, nos últimos anos, literatura que o ajude a compreender algo B) que parecia distante no tempo e no espaço: superpotências que rivalizam, não somente no campo simbólico e comercial, mas também em conflitos territoriais, que, ou eram percebidos como distantes  no tempo C), circunscritos às aulas de história, ou em espaços mundiais periféricos, cuja atenção, em geral, é marginalizada pela grande mídia e intelectuais.

 

[...] O que está em jogo é a revalorização da geografia como modo de se pensar o Estado, em suas questões internas e, ao mesmo tempo, na formulação de políticas externas. Em outras palavras, a complexidade da localização é acionada para formular teorias D) e projetos de ação voltados às relações de poder entre os estados. Sob um olhar repaginado (às vezes nem tanto) do realismo político, o território é visto novamente como não apenas produto de relações de poder, mas também “fonte” de poder.

 

A geopolítica sempre foi uma mistura de conhecimento e técnica, uma espécie de consciência geográfica do Estado E), como afirmava a importante geógrafa brasileira Bertha Becker (1930-2013). Os elementos geográficos – posição, distâncias, recursos naturais, concentração e dispersão da população, massa territorial, fronteiras e limites, grau de conexão etc. – precisam ser levados em consideração, seja para interpretar os movimentos nesse jogo War do mundo real, seja para traçar estratégias aplicadas para o Estadonação em sua constante e necessária (re)construção territorial. É nesse sentido que a crise atual pode ser entendida.

 

Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/geopolitica-a-hora-do-retorno/. (Adaptado)

 

Assinale a alternativa que sinaliza a expressão de uma opinião do autor.

  1. “Há discussões acadêmicas que, infelizmente, são colocadas em segundo plano [...]”.
  2. “Não somente na academia, mas é visível como o público em geral está buscando, nos últimos anos, literatura que o ajude a compreender algo [...]”
  3. “[...] superpotências que rivalizam, não somente no campo simbólico e comercial, mas também em conflitos territoriais, que, ou eram percebidos como distantes no tempo [...]”.
  4. “Em outras palavras, a complexidade da localização é acionada para formular teorias [...]”.
  5. “A geopolítica sempre foi uma mistura de conhecimento e técnica, uma espécie de consciência geográfica do Estado [...]”.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A frase indicada contém uma avaliação pessoal do autor: “infelizmente” marca claramente um juízo de valor e não um fato neutro.

Ao afirmar que debates acadêmicos "são colocados em segundo plano", o autor generaliza uma situação, mas o que transforma a oração em opinião é o comentário emotivo e avaliativo embutido no advérbio.

Fatos seriam verificáveis sem carga valorativa; aqui, o autor expressa desagrado e preocupação com o abandono desses debates, buscando persuadir o leitor sobre a importância do tema.

Portanto, a alternativa A é correta porque a construção linguística revela uma posição subjetiva do autor, destinada a interpretar e avaliar a realidade, não apenas descrevê‑la.

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