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Questão FC576546

Geopolítica, a hora do retorno Há discussões acadêmicas que, infelizmente, são colocadas em segundo plano até o momento em que ocorre um evento catastrófico e toda aquela bagagem t

Interpretação de Textos (Compreensão)

NC UFPR (FUNPAR) · 2022

Geopolítica, a hora do retorno

 

Há discussões acadêmicas que, infelizmente, são colocadas em segundo plano até o momento em que ocorre um evento catastrófico e toda aquela bagagem teórico-conceitual é acionada para tentar entender o que o empírico impõe. Foi preciso, mais uma vez, que uma superpotência militar demonstrasse na prática que a geopolítica está viva, para que geógrafos e outros colegas voltassem para os debates que estavam cobertos por uma poeira empobrecedora.

 

Não somente na academia, mas é visível como o público em geral está buscando, nos últimos anos, literatura que o ajude a compreender algo que parecia distante no tempo e no espaço: superpotências que rivalizam, não somente no campo simbólico e comercial, mas também em conflitos territoriais, que, ou eram percebidos como distantes no tempo, circunscritos às aulas de história, ou em espaços mundiais periféricos, cuja atenção, em geral, é marginalizada pela grande mídia e intelectuais.

 

[...] O que está em jogo é a revalorização da geografia como modo de se pensar o Estado, em suas questões internas e, ao mesmo tempo, na formulação de políticas externas. Em outras palavras, a complexidade da localização é acionada para formular teorias e projetos de ação voltados às relações de poder entre os estados. Sob um olhar repaginado (às vezes nem tanto) do realismo político, o território é visto novamente como não apenas produto de relações de poder, mas também “fonte” de poder.

 

A geopolítica sempre foi uma mistura de conhecimento e técnica, uma espécie de consciência geográfica do Estado, como afirmava a importante geógrafa brasileira Bertha Becker (1930-2013). Os elementos geográficos – posição, distâncias, recursos naturais, concentração e dispersão da população, massa territorial, fronteiras e limites, grau de conexão etc. – precisam ser levados em consideração, seja para interpretar os movimentos nesse jogo War do mundo real, seja para traçar estratégias aplicadas para o Estadonação em sua constante e necessária (re)construção territorial. É nesse sentido que a crise atual pode ser entendida.

 

Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/geopolitica-a-hora-do-retorno/. (Adaptado)

 

Assinale a alternativa que menciona a tese principal formulada no texto.

  1. O debate acadêmico com a sociedade reduziu-se a poeira.
  2. A discussão sobre superpotências em conflito circunscreve-se às aulas de história.
  3. A mídia coloca à margem conflitos em países periféricos.
  4. A atual crise revitaliza a geopolítica como forma de entender conflitos e traçar estratégias.
  5. A obra de Bertha Becker teve novo fôlego no contexto atual.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa afirma que a crise contemporânea revitaliza a geopolítica como instrumento para compreender conflitos e para orientar estratégias estatais.

O texto evidencia que eventos de grande impacto trazem de volta ao centro debates acadêmicos e públicos, levando geógrafos e decisores a reaplicar conceitos geopolíticos.

Ao considerar o território como fonte de poder, o autor destaca elementos concretos — posição, recursos, fronteiras, distribuição populacional — que servem tanto à interpretação dos fenômenos quanto ao planejamento de políticas.

Portanto, a crise funciona como catalisador: revaloriza a geografia na análise das relações entre Estados e na formulação de ações práticas em política externa e segurança.

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