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Questão FC576554

O texto a seguir é referência para a questão. Nos atuais debates sobre a globalização, como nas discussões sobre a pós-modernidade, existe uma pressuposição-chave compartilhada pel

Interpretação de Textos (Compreensão)

NC UFPR (FUNPAR) · 2021

O texto a seguir é referência para a questão.

Nos atuais debates sobre a globalização, como nas discussões sobre a pós-modernidade, existe uma pressuposição-chave compartilhada pela maioria dos participantes: a do caráter único da nossa época como a era par excellence da aceleração da mudança cultural e social, da “compressão do tempo-espaço” seguindo uma revolução nas comunicações, de uma economia global dominada por corporações multinacionais, da americanização ou até da “McDonaldização” do mundo e assim por diante. Em alguns aspectos, nossa época é realmente única, mas assim o foram outras gerações e outros séculos. Estamos longe de ser as primeiras pessoas a ficarem preocupadas ou excitadas pela ideia de que nossas experiências são muito diferentes daquelas das gerações passadas. De fato, se definirmos globalização como um processo de contatos cada vez mais intensos – sejam econômicos, políticos ou culturais – entre diferentes partes do mundo, então é necessário admitir que esse processo vem se desenvolvendo há milhares de anos – com interrupções relativamente menores em alguns lugares, como no Império Romano em declínio. Que esse processo de interação entre diferentes partes do globo aumentou sensivelmente em importância no século XIX, especialmente no fim do período, é o tema de dois recentes estudos históricos, de um escritor italiano e de outro, inglês. O primeiro apresenta dois tipos de globalização: a econômica, relacionada ao surgimento de um mercado mundial e suas consequências para a vida de milhões de pessoas; e a ascensão da cooperação internacional. Já o escritor inglês se refere à importância do que chama de “globalização arcaica”, ou seja, a crescente uniformidade nos sistemas econômicos, sociais, políticos e culturais dominantes em diferentes partes do globo num longo século XIX que vai de 1780 a 1914. Perto do fim do estudo, o inglês enfatiza a importância especial do fim do século XIX, ou mais exatamente do período 1890-1914, a época do que chama a “grande aceleração” da mudança.

(Peter Burke. Quando foi a globalização? In: O historiador como colunista: ensaios da Folha. RJ: Civilização Brasileira, 2009. Adaptado.)

Assinale a alternativa cuja interpretação NÃO é autorizada pelo texto.

  1. A pressuposição-chave da maioria dos participantes dos debates sobre a globalização é compartilhada pelo autor do texto, Peter Burke.
  2. A depender de como se conceitua a globalização, pode-se entendê-la como um processo histórico mais antigo do que o iniciado no século XX.
  3. Em quaisquer das acepções veiculadas no texto sobre a globalização está presente a ideia da intensidade nos processos de mudanças e interação internacional.
  4. Segundo estudiosos citados pelo autor do texto, os processos de interação global mais expressivos intensificaram-se no final do século XIX.
  5. Nossos contemporâneos não são os únicos a se alvoroçarem pela ideia de que nossas experiências são díspares daquelas das gerações passadas.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa afirma que a pressuposição-chave dos debates sobre globalização é compartilhada por Peter Burke. Isso não é autorizado pelo texto.

No corpo do texto Burke reconhece que há aspectos em que nossa época é singular, mas afirma claramente que outras gerações e séculos também viveram mudanças profundas e que o processo de globalização vem se desenvolvendo há milhares de anos. Ele diz ainda, em termos próximos, “Estamos longe de ser as primeiras pessoas…”, indicando que não adere à ideia de exclusividade temporal defendida pela maioria dos participantes.

Portanto, a interpretação de que Burke compartilha integralmente a pressuposição majoritária é incorreta, pois o autor relativiza essa visão e propõe continuidade histórica em vez de aceitar a singularidade absoluta do presente.

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