Questão FC576595
Mortes anunciadas Hélio Schwartsman Uma das melhores provas de que o darwinismo é mais do que “apenas uma teoria” está no fato de que dele extraímos previsões que vêm – infelizment
Interpretação de Textos (Compreensão)
NC UFPR (FUNPAR) · 2019
Mortes anunciadas
Hélio Schwartsman
Uma das melhores provas de que o darwinismo é mais do que “apenas uma teoria” está no fato de que dele extraímos previsões que vêm – infelizmente – sendo corroboradas pela realidade. É o caso do prognóstico de que bactérias desenvolverão resistência a antibióticos.
Desde que Alexander Fleming isolou a penicilina em 1928, todas as categorias de antibacterianos tiveram, com o tempo, seus mecanismos de ação debelados por algumas linhagens de micróbios. Bactérias, mesmo de espécies não aparentadas, são capazes de passar umas às outras o material genético responsável pela resistência a uma droga.
O custo em vidas humanas não é pequeno. Um estudo do governo britânico estima que, em escala global, os óbitos por cepas resistentes já cheguem a 700 mil por ano. E as coisas têm piorado. Além das bactérias, já estão surgindo fungos resistentes, como a Candida auris.
Se o fenômeno da resistência está inscrito nas leis da biologia, o ritmo em que ele ocorre está sujeito às ações dos homens. O uso exagerado de antimicrobianos, ao elevar as pressões seletivas, acelera a resistência. A dificuldade dos hospitais de fazer suas equipes realizarem uma antissepsia adequada facilita a troca dos plasmídeos que “ensinam” as bactérias a se defender das drogas.
Há o que fazer. Banir o uso de antibióticos da indústria da carne é uma medida óbvia. O filé, é claro, ficaria um pouco mais caro. Outra providência útil seria exigir que hospitais informassem o público quando lidam com surtos de micróbios resistentes. O risco aí seria ver pacientes deixando de fazer procedimentos necessários por medo de contágio.
Qualquer solução passa por um esforço multinacional de ações coordenadas. O crescente número de governos isolacionistas e até antidarwinistas não dá razões para otimismo. Há urgência. O estudo britânico calcula que, se nada for feito, em 2050, as mortes por infecções resistentes chegarão a 10 milhões ao ano, superando os óbitos por câncer.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2019/04/mortes-anunciadas.shtml)
De acordo com o texto, é intenção do autor:
- promover um debate sobre a relação entre o darwinismo e o surgimento de fungos e bactérias resistentes aos tratamentos.
- denunciar a falta de assepsia adequada nos hospitais, que eleva o número de mortes por infecção.
- divulgar os resultado de um estudo britânico sobre o darwinismo e a seleção natural que leva à resistência de bactérias.
- criticar a falta de diligência dos governos em relação ao crescente número de mortes causadas por infecções resistentes.
- embasar o darwinismo com provas científicas, a fim de aumentar o número de seguidores dessa corrente teórica.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A intenção do autor é criticar a falta de diligência dos governos diante do aumento de mortes por infecções resistentes. O título Mortes anunciadas já sinaliza que essas fatalidades são previsíveis e evitáveis.
O texto apresenta dados alarmantes (700 mil mortes/ano atualmente; projeção de 10 milhões em 2050) para reforçar a gravidade do problema e justificar a cobrança por providências.
Ao sugerir medidas como banir antibióticos na indústria da carne, exigir transparência em surtos hospitalares e defender ações multinacionais coordenadas, o autor mostra que a solução depende de políticas públicas eficazes.
Ao apontar o crescimento de governos isolacionistas e antidarwinistas, critica a ausência de compromisso político necessário para enfrentar a crise.
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