Questão FC576596
Mortes anunciadas Hélio Schwartsman Uma das melhores provas de que o darwinismo é mais do que “apenas uma teoria” está no fato de que dele extraímos previsões que vêm – infelizment
Interpretação de Textos (Compreensão)
NC UFPR (FUNPAR) · 2019
Mortes anunciadas
Hélio Schwartsman
Uma das melhores provas de que o darwinismo é mais do que “apenas uma teoria” está no fato de que dele extraímos previsões que vêm – infelizmente – sendo corroboradas pela realidade. É o caso do prognóstico de que bactérias desenvolverão resistência a antibióticos.
Desde que Alexander Fleming isolou a penicilina em 1928, todas as categorias de antibacterianos tiveram, com o tempo, seus mecanismos de ação debelados por algumas linhagens de micróbios. Bactérias, mesmo de espécies não aparentadas, são capazes de passar umas às outras o material genético responsável pela resistência a uma droga.
O custo em vidas humanas não é pequeno. Um estudo do governo britânico estima que, em escala global, os óbitos por cepas resistentes já cheguem a 700 mil por ano. E as coisas têm piorado. Além das bactérias, já estão surgindo fungos resistentes, como a Candida auris.
Se o fenômeno da resistência está inscrito nas leis da biologia, o ritmo em que ele ocorre está sujeito às ações dos homens. O uso exagerado de antimicrobianos, ao elevar as pressões seletivas, acelera a resistência. A dificuldade dos hospitais de fazer suas equipes realizarem uma antissepsia adequada facilita a troca dos plasmídeos que “ensinam” as bactérias a se defender das drogas.
Há o que fazer. Banir o uso de antibióticos da indústria da carne é uma medida óbvia. O filé, é claro, ficaria um pouco mais caro. Outra providência útil seria exigir que hospitais informassem o público quando lidam com surtos de micróbios resistentes. O risco aí seria ver pacientes deixando de fazer procedimentos necessários por medo de contágio.
Qualquer solução passa por um esforço multinacional de ações coordenadas. O crescente número de governos isolacionistas e até antidarwinistas não dá razões para otimismo. Há urgência. O estudo britânico calcula que, se nada for feito, em 2050, as mortes por infecções resistentes chegarão a 10 milhões ao ano, superando os óbitos por câncer.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2019/04/mortes-anunciadas.shtml)
A tese central do autor é que:
- ignorar o darwinismo põe em risco ações de combate ao avanço das bactérias.
- o isolacionismo é a forma mais eficiente de evitar o contágio por bactérias ultrarresistentes.
- a velocidade com que a resistência das bactérias aumenta está inscrita nas leis da biologia.
- a divulgação de surtos de infecção hospitalar cria resistência nas pessoas de recorrerem a esses locais.
- eliminar o uso de antimicrobianos pode ser a solução do crescente número de mortes por infecção.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa correta afirma que ignorar o darwinismo compromete a eficácia das medidas contra bactérias resistentes. O texto inicia relacionando a teoria evolutiva à previsão de que microrganismos desenvolveriam resistência a antibióticos, estabelecendo a base lógica da tese.
O autor mostra que a resistência não é acaso, mas resultado de seleção: o uso excessivo de antimicrobianos aumenta as pressões seletivas, e a transferência de material genético facilita a disseminação de resistência.
Essa compreensão orienta políticas práticas citadas no texto, como proibir antibióticos na indústria da carne, melhorar antissepsia hospitalar e promover um esforço multinacional. Sem aceitar ou aplicar os princípios darwinianos, tais medidas ficam desinformadas e ineficazes.
Portanto, o argumento central é que desprezar a explicação evolutiva põe em risco a capacidade de prevenir e controlar o avanço de bactérias resistentes.
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