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Questão FC576612

Sunstein apoia-se em muita pesquisa científica e doses generosas de bom senso liberal. O conjunto da obra é um pouco descosido, já que o livro foi elaborado a partir de artigos pub

Interpretação de Textos (Compreensão)

NC UFPR (FUNPAR) · 2019

O texto a seguir é referência para a questão abaixo.

Ciência da mudança

Hélio Schwartsman

Um programa humorístico “mainstream” dos anos 70 ou 80, daqueles que a família se reunia em torno da TV para assistir junta, não iria ao ar hoje nos canais abertos nem no turno da madrugada. É que boa parte das piadas que nos faziam rir no passado soam hoje insuportavelmente machistas, homofóbicas, racistas etc. Nossas sensibilidades mudaram. Por quê? Como?

É a essas perguntas que o jurista convertido em estudioso do comportamento humano Cass Sunstein (Harvard) tenta responder em seu  mais recente livro, “How Change Happens” (como a mudança ocorre).

A revisão de normas sociais pode ser rápida ou devagar, pode dar-se para o bem ou para o mal. Se a escravidão, que foi vista como perfeitamente natural durante a maior parte da história, tornou-se um tabu quase universal, o anti-intelectualismo, do qual as pessoas se envergonhavam uma década atrás, não só foi normalizado como é um dos elementos que marcam a recessão democrática que o mundo atravessa.

Uma das muitas razões por que esses processos são tão dinâmicos é que as pessoas não revelam suas reais preferências se estas não se coadunarem com a norma social vigente, mas basta que a regra seja contestada por um certo número de indivíduos (“tipping point”) para que a todos se sintam livres para dizer o que de fato pensam, levando eventualmente ao colapso do antigo consenso. Já se a norma social reflete as preferências, aí é difícil mudá-la, mesmo alterando a legislação. Um bom exemplo é a persistência de práticas racistas.

Sunstein apoia-se em muita pesquisa científica e doses generosas de bom senso liberal. O conjunto da obra é um pouco descosido, já que o livro foi elaborado a partir de artigos publicados anteriormente. Essa falta de unidade não impede o autor de propor discussões interessantes. Devemos usar a lei para fazer avançar agendas políticas? Existem limites para o nível de transparência que devemos exigir dos governantes?

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2019/04/ciencia-da-mudanca.shtml)

Com base no texto, considere as seguintes afirmativas:

1. O autor avalia que o livro de Sunstein deixa a desejar, por ser descosido e não oferecer respostas a algumas perguntas.

2. O anti-intelectualismo é exemplo de revisão das normas sociais para o bem.

3. As pessoas esperam só revelam o que realmente pensam quando mais pessoas já expressaram a mesma ideia.

4. Quando as normas sociais estão de acordo com o que as pessoas pensam, são mais fortes que as leis.

Assinale a alternativa correta.

  1. Somente a afirmativa 2 apenas.
  2. Somente as afirmativas 1 e 2.
  3. Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
  4. Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras.
  5. As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Letra C: as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras porque seguem diretamente os argumentos do texto.

Sobre a afirmativa 3, o texto afirma que as pessoas costumam ocultar suas preferências quando estas não coincidem com a norma vigente, e que "basta que a regra seja contestada por um certo número de indivíduos (tipping point) para que a todos se sintam livres para dizer o que de fato pensam". Isso explica por que a expressão pública de uma ideia depende de outras pessoas já a terem manifestado.

Quanto à afirmativa 4, o autor diz que, quando a norma social reflete as preferências, ela se mostra difícil de mudar "mesmo alterando a legislação". Logo, normas alinhadas às preferências sociais têm força superior à mera mudança legal.

Assim, a leitura do texto corrobora direta e claramente as afirmativas 3 e 4.

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