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Questão FC576627

O último paradoxo da vida moderna: por que ficamos presos ao celular, mas odiamos falar por telefone?

Interpretação de Textos (Compreensão)

NC UFPR (FUNPAR) · 2019

O texto a seguir é referência para a questão.

O último paradoxo da vida moderna: por que ficamos presos ao celular, mas odiamos falar por telefone?

Para iniciar um texto, Hemingway dizia a si mesmo: “Escreva a frase mais verdadeira que você conhece”. Mas, no nosso caso, a psicóloga Cristina Pérez, do Siquia, respondeu por meio de mensagens de áudio às perguntas que lhe enviamos por email. Essa curiosidade metajornalística não tem importância, não altera a qualidade de suas respostas, só ilustra a variedade e fluidez de opções com as quais podemos nos comunicar hoje. Recebemos um email? Respondemos com um áudio. Chegou um áudio de WhatsApp? Respondemos com um texto. Recebemos um telefonema? Não respondemos. Esperamos. Esperamos. E escrevemos: “Você me ligou? Não posso falar, é melhor me escrever”. O paradoxo do grande vício do século XXI é que estamos presos ao celular, mas temos fobia das ligações telefônicas.

É uma tendência mais presente entre os mais jovens, mas comum em todas as faixas etárias: só na Espanha, o uso diário de aplicativos de mensagens instantâneas como WhatsApp, Telegram e Facebook Messenger é quase o dobro            ligações por telefone fixo e celular, segundo o Relatório da Sociedade Digital na Espanha de 2018, da Fundação Telefónica. Não só preferimos as mensagens instantâneas a telefonemas, como também preferimos essas mensagens a interagir com outras pessoas. Ou pelo menos foi o que 95,1% da população espanhola disse preferir (o cara-a-cara só tem 86,6% de popularidade). A ligação telefônica − que, até não muito tempo atrás, esperávamos com alegria ou tolerávamos com resignação, mas nunca evitávamos com uma rejeição universal − se tornou uma presença intrusiva e incômoda, perturbadora e tirânica, mas por quê? “Uma das razões é que quando recebemos uma ligação, ela interrompe algo que estávamos fazendo, ou simplesmente não temos vontade de falar nesse momento”, explica a psicóloga Cristina Pérez. “Por outro lado, também exige de nós uma resposta imediata, ao contrário do que ocorre na comunicação escrita, que nos permite pensar bem no que queremos dizer. E a terceira razão seria o fato de não poder saber de antemão qual será a duração do telefonema”, acrescenta.

(Adaptado. Disponível em: https://brasil

.elpais.com/brasil/2019/06/01/tecnologia/1559392400_168692.html)

De acordo com o texto, “ficamos presos ao celular, mas odiamos falar por telefone”, porque as chamadas telefônicas:

  1. são menos fluidas que as mensagens de texto, obrigando-nos a esperar por uma resposta.
  2. exigem que pensemos mais no que queremos dizer, alongando a duração do telefonema.
  3. tiram nosso controle sobre o tempo que queremos destinar ao momento de interação que elas instauram.
  4. são associadas como os mais velhos, enquanto o celular está relacionado aos mais jovens.
  5. podem ser respondidas com texto escrito, truncando o processo de comunicação.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Alternativa C está correta porque o texto explica que as chamadas telefônicas comprometem o nosso controle temporal sobre a interação. Segundo Cristina Pérez, a ligação gera interrupção de uma atividade em curso, exige resposta imediata e tem duração incerta, elementos que impedem o interlocutor de decidir quando e por quanto tempo participar da conversa.

Esses fatores tornam a chamada invasiva e desconfortável: diferentemente da comunicação escrita, que permite refletir e responder com calma, a chamada impõe ritmo e tempo alheios, retirando do indivíduo a autonomia para programar o contato.

Assim, a justificativa do texto confirma que as chamadas tiram nosso controle sobre o tempo que queremos destinar à interação, razão pela qual são rejeitadas.

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