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Questão FC576676

O texto a seguir é referência para a questão. Pavoroso, sim! Acidente, não! Vanessa Grazziotin Lamento profundamente escrever sobre meu querido Amazonas tratando de algo tão doloro

Interpretação de Textos (Compreensão)

NC UFPR (FUNPAR) · 2017

O texto a seguir é referência para a questão.

Pavoroso, sim! Acidente, não!

Vanessa Grazziotin

Lamento profundamente escrever sobre meu querido Amazonas tratando de algo tão doloroso.

Não do “acidente”, mas do massacre bárbaro, pavoroso, que sucedeu a festa de Réveillon e que já vitimou quase 70 detentos em Manaus (AM). Fato agravado com a chacina de outros 33 em Boa Vista (RR), ocorrida no dia de Reis.

A chacina ocorreu por absoluto descaso do governo com o sistema prisional e é de sua inteira responsabilidade, a qual não pode ser terceirizada ou privatizada.

Se há o controle das penitenciárias pelas facções criminosas é porque há promiscuidade do governo e certa licenciosidade do conjunto das autoridades, o que explica as “celas de luxo”, festas, entrada de armas, drogas e fugas.

No Amazonas, há ineficiência da empresa privada que opera os presídios. Há sobrepreço do contrato (triplo da média nacional), que já consumiu, de 2010 a 2016, R$ 1,1 bilhão do dinheiro público, parte dos quais irrigaram campanhas do governador e seus aliados.

Gravações no processo eleitoral de 2014 revelaram que o major da PM Carliomar Brandão, então subsecretário de Justiça e Direitos Humanos, celebrou um acordo com Zé Roberto (chefe da FDN). Houve compromisso com regalias para a facção em troca de 100 mil votos à reeleição do governador José Melo (PROS). O processo tramita no TSE, até hoje sem julgamento.

A solução é complexa e exige a superação de problemas objetivos e subjetivos. Exige diálogo e ações permanentes dos Poderes. Criar mecanismos de penas alternativas e fazer os detentos trabalharem para evitar a superlotação dos presídios e gerar recursos para fazer frente às despesas.

Nesse caso, o congelamento dos gastos públicos por 20 anos certamente não ajudará na solução. É necessário combater a corrupção permanentemente.

Subjetivamente é preciso superar a cultura da banalização do massacre contra pobres e da simplificação vulgar dessa selvageria, expressas nas desastrosas declarações do governador Melo e do presidente Temer (PMDB), bem como na escalada crescente de desumanização e intolerância da sociedade, cuja síntese é a apologia de que “bandido bom é bandido morto”.

De fato, é difícil para as pessoas aceitarem que se gaste tanto dinheiro para manter um sistema prisional caótico quando há carência de recursos para tantas outras áreas.

A constatação de que esse problema persiste por tantos anos sem uma solução à vista explica o apoio popular a propostas equivocadas, como a redução da maioridade penal e até a pena de morte.

De fato, a situação é grave, explosiva e precisa ser enfrentada nas suas reais causas, e não com medidas paliativas.

(Folha de S. Paulo, 10 jan. 2017.)

Com base no texto, considere as seguintes afirmativas:

1. Por se tratar de um texto informativo, a autora apresenta claramente sua opinião de que as mortes ocorridas no início de 2017 nos presídios do AM e de RR foram massacres pavorosos e não simples acidentes.

2. Para a autora, os problemas do sistema prisional brasileiro não são de hoje e só existem porque há conivência dos governantes, que têm seus próprios interesses como prioridade, especialmente no Amazonas.

3. Como argumento principal para sua posição, a autora utiliza um processo, ainda em andamento, no TSE sobre troca de favores a facções por votos em Roraima.

Assinale a alternativa correta.

  1. Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
  2. Somente a afirmativa 2 é verdadeira.
  3. Somente a afirmativa 3 é verdadeira.
  4. Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
  5. As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Afirmativa 2 é verdadeira.

No texto, a autora afirma claramente que os problemas do sistema prisional «persistem por tantos anos», indicando que se tratam de questões antigas e estruturais.

Além disso, ela responsabiliza autoridades pela situação: fala em «promiscuidade do governo e certa licenciosidade do conjunto das autoridades», relacionando a presença de facções e regalias a uma postura conivente dos governantes.

O comentário sobre contratos com sobrepreço e recursos que teriam irrigado campanhas reforça a ideia de que interesses políticos e privilégios locais, especialmente no Amazonas, contribuíram para a manutenção do problema.

Esses trechos sustentam a tese de que os defeitos do sistema prisional não são recentes e decorrem, em grande parte, de conivência governamental.

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