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Questão FC576684

Estaremos criando uma sociedade de jovens de pais ausentes, distraídos demais com a Internet, à qual Leonardo Calembo, de 41 anos, pai de um dos adolescentes mortos a tiros no colé

Interpretação de Textos (Compreensão)

NC UFPR (FUNPAR) · 2017

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.

Estaremos criando uma sociedade de jovens de pais ausentes, distraídos demais com a Internet, à qual Leonardo Calembo, de 41 anos, pai de um dos adolescentes mortos a tiros no colégio de Goiânia por um colega de classe, chamou, enquanto enterrava o filho, de “órfãos de pais vivos”, de pais já mortos para eles, porque ignoram seus problemas?

   O eco da tragédia de Goiânia, que se revela a cada dia com informações mais alarmantes sobre a personalidade complexa do jovem de 14 anos que disparou na sala de aula contra os colegas, levará tampo para se dissipar, já que despertou o alarme em não poucas famílias. É como se, de repente, nos _____________ se realmente _____________ nossos filhos e o que estão vivendo sem que ____________.[…]

   Enquanto escrevo esta coluna, o jornal Folha de S. Paulo publica o que chama de “o mapa da morte”, com os dados de homicídios no Brasil em 2016, com um aumento de quase 4% em relação ao ano anterior. No total foram 61.689 homicídios, o que equivale a sete a cada hora, algo que supera muitas guerras juntas. É como se o Brasil sofresse a cada ano a explosão de uma bomba atômica. A de Hiroshima matou pouco mais do que se mata no Brasil todos os anos.

   Algo que agrava esse mapa da morte é que metade desses homicídios é de jovens, o que significa que mais de 30.000 pais e mães tenham que enterrar filhos, algo que fere as leis da natureza. O normal é que os filhos enterrem os pais. A matança desses milhares de jovens conduz à aberração de que os pais se sintam órfãos dos filhos, sem poder desfrutar deles em vida.

   Permitir ou não que as  crianças e jovens vejam todo o tipo de violência virtual nos jogos, nos filmes, na televisão e nos celulares? Quando eu era estudante de psicologia em Roma, tive uma discussão com um de meus professores que defendia que as crianças deviam familiarizar-se com a violência para poder administrá-la quando adultas. É o que pensam ainda hoje até mesmo ilustres sociólogos. Para mim, porém, a vida real de hoje já oferece doses de sobra de violência, desde que se nasce, dentro e fora das casas, para que seja preciso acrescentar-lhe a violência virtual.[…]

   Jovens órfãos de pais vivos, pais que se veem sujeitos a enterrar filhos em flor e, se fosse pouco, desde 1980 até hoje segue aumentando no Brasil o número de suicídios juvenis, segundo o IPEA. É o ápice da tragédia da sociedade. […]

   Mais do que saber se têm mais votos Lula, Doria ou Bolsonaro, os institutos de pesquisa deveriam se interessar em descobrir por que a juventude de uma sociedade como a do Brasil, que sempre teve como vocação a felicidade e os encontros festivos, se vê de repente representada por um triplo drama de orfandade. Quem salvará o Brasil não será, de fato, nenhum caudilho, herói ou messias, mas a tomada de consciência da sociedade de que as famílias precisam apostar para que seus filhos voltem “a ser sonhadores”, como pedia o jovem de outra escola em Olinda.

   Quando um jovem pede aos pais que lhe dediquem mais tempo que a seu celular, ele lhes está suplicando mais afeto, ou está tentando contar-lhes que algo se está rompendo dentro dele. Quando lhe dizem: “depois, agora estou ocupado”, esse “depois” poderia ser tragicamente tarde.

(Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/31/opinion/1509452129_128889.html>. Acesso em 06 nov. 2017)

Sobre o texto, considere as seguintes afirmativas: 

1. O texto tematiza o excesso de violência no país.

2. O autor utiliza a tragédia ocorrida na escola de Goiânia como um exemplo de como a falta de participação dos pais na vida dos filhos pode levar a situações de tragédia.

3. O autor critica a escassez de pesquisas sobre o comportamento e a saúde mental de nossos jovens.

4. A expressão “órfãos de pais vivos”, apresentada no texto, faz referência a crianças com pais mortos no sentido metafórico. 

Assinale a alternativa correta. 

  1. Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
  2. Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
  3. Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras.
  4. Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
  5. As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa D indica que são verdadeiras as afirmativas 2, 3 e 4. A seguir, explico cada uma com base no texto.

Sobre a afirmativa 2: o autor toma a tragédia de Goiânia como exemplo para mostrar que a falta de envolvimento dos pais contribui para desdobramentos dramáticos. Isso fica claro quando relaciona o caso à ideia de famílias despertas para problemas dos filhos após o episódio.

Sobre a afirmativa 3: o autor reclama que, em vez de só medir preferências políticas, os institutos deveriam investigar por que a juventude vive um “triplo drama de orfandade”. Esse trecho expressa a crítica à insuficiência de estudos sobre comportamento e saúde mental juvenil.

Sobre a afirmativa 4: a expressão “órfãos de pais vivos” é usada metaforicamente para indicar jovens cujos pais estão fisicamente presentes, mas emocionalmente ausentes, ou seja, pais que ignoram os problemas dos filhos.

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