Questão FC576747
O texto a seguir é referência para a questão. Efeitos do zika vírus sobre os neurônios A microcefalia tem sido um fantasma para gestantes e mulheres que planejam engravidar. A rela
Interpretação de Textos (Compreensão)
NC UFPR (FUNPAR) · 2016
O texto a seguir é referência para a questão.
Efeitos do zika vírus sobre os neurônios
A microcefalia tem sido um fantasma para gestantes e mulheres que planejam engravidar. A relação entre o problema e a predisposição genética também já é bem conhecida dos pesquisadores. Mas, recentemente, a doença foi associada também ao zika vírus, transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. As futuras mães temem as várias manifestações clínicas dos efeitos sobre o cérebro, como déficit cognitivo, paralisia cerebral, epilepsia e atraso no desenvolvimento mental ou mesmo global. O prognóstico, entretanto, varia de um bebê para outro. Alguns podem até desenvolver um grau de microcefalia pequeno, que não causa nenhum dano neurológico. Mas ainda há muitas interrogações. O que se sabe com certeza é que o vírus ultrapassa a barreira criada pela placenta e atinge o tecido cerebral do feto, fazendo com que tanto o surgimento de novos neurônios quanto de células cerebrais já existentes ocorra de forma mais lenta. A desaceleração do processo de maturação cerebral desencadeia alteração na taxa de crescimento do osso craniano, impedindo que o desenvolvimento ocorra de forma adequada.
Em março, a publicação científica Cell Stem Cell apresentou os resultados de mais uma pesquisa. Em testes de laboratório, o vírus destruiu (ou impediu o crescimento de) células progenitoras neurais, que constituem o cérebro e o sistema nervoso. Para chegar a essa conclusão, a equipe americana, formada por pesquisadores das universidades Johns Hopkins e Emory, infectou um grupo das células com o vírus por duas horas e analisou essas amostras três dias depois. O zika infectou até 90% das células progenitoras neurais em uma das amostras, levando à morte de cerca de um terço delas e a sérios danos nas demais. Um efeito similar teria resultados graves em um cérebro em desenvolvimento.
Os pesquisadores alertam, porém, que isso ainda não representa uma relação definitiva entre o zika e a doença. A epidemia de zika tem sido amplamente apontada como o motivo do aumento dos casos de microcefalia, mas esse elo ainda não foi cientificamente confirmado aos olhos da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, até o fechamento desta edição de Mente e Cérebro, estavam confirmados 641 casos de microcefalia ou outras malformações em cérebros de bebês, segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde. Outros 4,2 mil casos suspeitos estão sob investigação e pouco mais de mil foram descartados.
(Adaptado de: Mente e Cérebro, maio de 2016)
Com base no texto acima, é correto afirmar:
- Futuras mães estão temerosas quanto à consequência da picada do mosquito Aedes aegypti sobre o desenvolvimento de seus bebês, já que ela pode causar a contaminação pelo vírus zika, responsável pela morte de um terço dos fetos em gestantes contaminadas.
- Já é aceito pela Organização Mundial da Saúde que a causa da microcefalia está mais ligada à contaminação pelo vírus zika que à predisposição genética, o que foi comprovado por pesquisadores das universidades Johns Hopkins e Emory.
- Apesar de o prognóstico dos efeitos do zika vírus sobre o desenvolvimento cerebral variar de bebê para bebê, está confirmado que, no Brasil, os bebês das mães infectadas com esse vírus nascem com microcefalia.
- Os resultados de pesquisa em um grupo de células progenitoras neuronais infectadas com o zika vírus são um indício de que o zika vírus é responsável por malformação no cérebro de bebês.
- Pouco mais de mil casos de contaminação do vírus zika em bebês foram descartados no Brasil, porém ainda não é conclusivo se tal contaminação os levará a desenvolver microcefalia ou não.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa D afirma que os achados experimentais são um indício de que o zika pode causar malformações cerebrais. Isso está correto porque o estudo mostrou que, em cultura, o vírus zika infectou até 90% das células progenitoras neurais, matou cerca de um terço delas e causou danos nas restantes.
Essas células são responsáveis pela formação e maturação de neurônios durante o desenvolvimento fetal. Seu comprometimento reduz a produção e o amadurecimento neuronal, o que altera o crescimento craniano e pode levar à microcefalia.
Porém, trata-se de evidência compatível com causalidade, obtida em laboratório. Os próprios pesquisadores e a OMS apontam que isso é um forte indício, mas não é prova definitiva, exigindo correlação epidemiológica e estudos adicionais.
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