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Questão FC576759

Outras razões para a pauta negativa Venício A. Lima O sempre interessante Boletim UFMG, que traz, a cada semana, notícias do dia a dia da Universidade Federal de Minas Gerais, info

Interpretação de Textos (Compreensão)

NC UFPR (FUNPAR) · 2015

Outras razões para a pauta negativa

Venício A. Lima

O sempre interessante Boletim UFMG, que traz, a cada semana, notícias do dia a dia da Universidade Federal de Minas Gerais, informa, na edição de 4 de maio, o trabalho desenvolvido por grupo de pesquisa do Departamento de Ciência da Computação (DCC) em torno da “análise de sentimento”, que relaciona o sucesso das notícias com sua polaridade, negativa ou positiva.

Utilizando programas de computador desenvolvidos pelo DCC-UFMG, foram identificadas, coletadas e analisadas 69.907 manchetes veiculadas em quatro sites noticiosos internacionais ao longo de oito meses de 2014: The New York Times, BBC, Reuters e Daily Mail. E as notícias foram agrupadas em cinco grandes categorias: negócios e dinheiro, saúde, ciência e tecnologia, esportes e mundo. As conclusões da pesquisa são preciosas.

Cerca de 70% das notícias diárias estão relacionadas a fatos que geram “sentimentos negativos” – tais como catástrofes, acidentes, doenças, crimes e crises. Os textos das manchetes foram relacionados aos sentimentos que elas despertam, numa escala de menos 5 (muito negativo) a mais 5 (muito positivo). Descobriu-se que o sucesso de uma notícia, vale dizer, o número de vezes em que é “clicada” pelo eventual leitor está fortemente vinculado a esses “sentimentos” e que os dois extremos – negativo e positivo – são os mais “clicados”. As manchetes negativas, todavia, são aquelas que atraem maior interesse dos leitores.

Embora realizado com base em manchetes publicadas em sites internacionais – não brasileiros –, os resultados do trabalho dos pesquisadores do DCC-UFMG nos ajudam a compreender a predominância do “jornalismo do vale de lágrimas” na grande mídia brasileira.

Para além da partidarização seletiva das notícias, parece haver também uma importante estratégia de sobrevivência empresarial influindo na escolha da pauta negativa. Os principais telejornais exibidos na televisão brasileira, por exemplo, estão se transformando em incansáveis noticiários diários de crises, crimes, catástrofes, acidentes e doenças de todos os tipos. Carrega-se, sem dó nem piedade, nas notícias que geram sentimentos negativos. Mais do que isso: os âncoras dos telejornais, além das notícias negativas, se encarregam de editorializar, fazer comentários, invariavelmente críticos e pessimistas, reforçando, para além da notícia, exatamente seus aspectos e consequências funestos.

Existe, sim, o risco do esgotamento. Cansado de tanta notícia ruim e sentindo-se impotente para influir no curso dos eventos, pode ser que o leitor/telespectador afinal desista de se expor a esse tipo de jornalismo que o empurra cotidianamente rumo a um inexorável “vale de lágrimas” mediavalesco.

Adaptado de <http://observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-ebates/outras-razoes-para-a-pauta-negativa/>. Acesso em 19 mai. 2015.

Assinale a alternativa que exprime a tese do texto.

  1. Segundo o autor, há na imprensa internacional mais notícias negativas, porque ocorrem muito mais catástrofes e desgraças do que fatos positivos.
  2. O tom negativo, principalmente das notícias nacionais, deve-se à editorialização promovida pelos âncoras de telejornais.
  3. O telejornalismo pautado em notícias funestas e trágicas está caminhando para o esgotamento e afastamento do telespectador.
  4. A mídia privilegia notícias ligadas a sentimentos negativos porque estas atraem mais o público.
  5. Pesquisas analisam o comportamento de leitores de mídia estrangeira, mas não há evidência de que seus resultados possam ser aplicados ao cenário nacional.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Mídia privilegia notícias ligadas a sentimentos negativos porque estas atraem mais o público.

A conclusão do texto apoia essa ideia em pesquisa do DCC-UFMG que relacionou a polaridade das manchetes ao número de cliques: o sucesso da notícia está vinculado aos sentimentos que ela desperta. Como o próprio autor registra, "As manchetes negativas, todavia, são aquelas que atraem maior interesse dos leitores".

Daí decorre a explicação do autor para a predominância do tom negativo na imprensa: trata‑se de uma estratégia de sobrevivência empresarial, já que conteúdos negativos rendem mais audiência. Além disso, âncoras e editoriais reforçam esse viés ao enfatizar aspectos funestos das notícias.

Portanto, a alternativa expressa com fidelidade a tese central do texto, fundamentada na pesquisa e na observação do comportamento midiático.

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