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Questão FC576839

O texto a seguir é referência para a questão. Pavoroso, sim! Acidente, não! Vanessa Grazziotin Lamento profundamente escrever sobre meu querido Amazonas tratando de algo tão doloro

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

NC UFPR (FUNPAR) · 2017

O texto a seguir é referência para a questão.

Pavoroso, sim! Acidente, não!

Vanessa Grazziotin

Lamento profundamente escrever sobre meu querido Amazonas tratando de algo tão doloroso.

Não do “acidente”, mas do massacre bárbaro, pavoroso, que sucedeu a festa de Réveillon e que já vitimou quase 70 detentos em Manaus (AM). Fato agravado com a chacina de outros 33 em Boa Vista (RR), ocorrida no dia de Reis.

A chacina ocorreu por absoluto descaso do governo com o sistema prisional e é de sua inteira responsabilidade, a qual não pode ser terceirizada ou privatizada.

Se há o controle das penitenciárias pelas facções criminosas é porque há promiscuidade do governo e certa licenciosidade do conjunto das autoridades, o que explica as “celas de luxo”, festas, entrada de armas, drogas e fugas.

No Amazonas, há ineficiência da empresa privada que opera os presídios. Há sobrepreço do contrato (triplo da média nacional), que já consumiu, de 2010 a 2016, R$ 1,1 bilhão do dinheiro público, parte dos quais irrigaram campanhas do governador e seus aliados.

Gravações no processo eleitoral de 2014 revelaram que o major da PM Carliomar Brandão, então subsecretário de Justiça e Direitos Humanos, celebrou um acordo com Zé Roberto (chefe da FDN). Houve compromisso com regalias para a facção em troca de 100 mil votos à reeleição do governador José Melo (PROS). O processo tramita no TSE, até hoje sem julgamento.

A solução é complexa e exige a superação de problemas objetivos e subjetivos. Exige diálogo e ações permanentes dos Poderes. Criar mecanismos de penas alternativas e fazer os detentos trabalharem para evitar a superlotação dos presídios e gerar recursos para fazer frente às despesas.

Nesse caso, o congelamento dos gastos públicos por 20 anos certamente não ajudará na solução. É necessário combater a corrupção permanentemente.

Subjetivamente é preciso superar a cultura da banalização do massacre contra pobres e da simplificação vulgar dessa selvageria, expressas nas desastrosas declarações do governador Melo e do presidente Temer (PMDB), bem como na escalada crescente de desumanização e intolerância da sociedade, cuja síntese é a apologia de que “bandido bom é bandido morto”.

De fato, é difícil para as pessoas aceitarem que se gaste tanto dinheiro para manter um sistema prisional caótico quando há carência de recursos para tantas outras áreas.

A constatação de que esse problema persiste por tantos anos sem uma solução à vista explica o apoio popular a propostas equivocadas, como a redução da maioridade penal e até a pena de morte.

De fato, a situação é grave, explosiva e precisa ser enfrentada nas suas reais causas, e não com medidas paliativas.

(Folha de S. Paulo, 10 jan. 2017.)

Assinale a alternativa em que a paráfrase do segundo parágrafo foi redigida de acordo com as normas do português escrito.

  1. Após a festa de Réveillon, houveram quase 70 mortes em um massacre bárbaro, horrível, em Manaus, seguido, da chacina de outras 33 em RR nos dias seguintes. Não foi acidente, não.
  2. O massacre de quase 70 presos, em Manaus e 33, em RR, entre o Réveillon e o dia de Reis, não foram acidentes.
  3. Em Manaus e em Boa Vista, houve diversas mortes de detentos – 70 no AM e 33 em RR – em massacres horríveis ocorridos entre o Réveillon e o dia de Reis, fato que não pode ser considerado um simples acidente.
  4. Quase 70 mortes em Manaus e mais 33 em Boa Vista, eis o fato agravado do massacre e não acidente ocorrido no início de 2017.
  5. Não pode ser considerado mais que um simples acidente, as mortes de detentos em Manaus e Boa Vista. Foram massacres pavorosos que aconteceram entre Réveillon e o dia de Reis.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A frase da alternativa C está correta por dois motivos principais.

Primeiro, o uso do verbo "haver" em "houve diversas mortes" respeita sua função existencial; nesse sentido, o verbo é impessoal e permanece no singular, independentemente do numeral que o segue.

Segundo, a pontuação organiza bem a informação: a inserção dos números entre vírgulas (ou parênteses) explicita quantos foram os mortos em cada estado sem quebrar a fluidez. A sequência "em massacres horríveis ocorridos entre o Réveillon e o dia de Reis" qualifica o evento e o termo fato retoma-o corretamente, exigindo a forma singular em "fato que não pode ser considerado um simples acidente".

Assim, a construção mantém concordância verbal, clareza referencial e coerência semântica.

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