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Questão FC576874

Esse fato não planejado, entretanto, nos dá a oportunidade de pensarmos a respeito das duas fases da vida que são extremidades de um percurso. O que há em comum entre elas?

Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)

NC UFPR (FUNPAR) · 2019

Texto 1

O dia 1º de outubro foi dedicado ao idoso e o próximo dia 12 é a data das crianças. A proximidade das duas comemorações não foi planejada: o Dia da Criança é comemorado há quase 50 anos e lembra uma promoção de duas empresas que fabricam mercadorias para o público infantil e que criaram, dessa maneira, uma boa circunstância para o aumento de seu lucro. Aliás, é bom dizer que o índice de vendas para esse dia só é menor que o de outras duas datas exploradas comercialmente: o Natal e o Dia das Mães.

O Dia do Idoso, por sua vez, é comemorado no dia 1º há pouco tempo, e a data foi escolhida porque lembra a criação do Estatuto do Idoso. Ainda não há exploração, tampouco efeito comercial, mas creio que não demorará para que isso ocorra.

Esse fato não planejado, entretanto, nos dá a oportunidade de pensarmos a respeito das duas fases da vida que são extremidades de um percurso. O que há em comum entre elas?

Em primeiro lugar, a negação de ambas. A infância, tanto quanto a velhice, tem perdido seu lugar neste mundo. Já nascemos jovens e continuamos assim até o fim de nossa vida. É interessante perceber que adaptamos até a linguagem coloquial de modo a esconder essas condições da vida. Em relação às crianças, passamos a nos referir a elas como “baixinhos”, “pequenos” e seus correlatos, inclusive em textos jornalísticos, que usam e abusam de tais substitutos. Por certo você já ouviu a frase que afirma que a criança não é a miniatura de um adulto, não é? Mas essas palavras, que são usadas para suprimir a outra criança, apenas confirmam a tese negada na frase.

Para o velho, reservamos a palavra idoso  para situações formais – avisos de atendimento preferencial, por exemplo –, mas elegemos expressões como terceira idade  ou melhor idade  para ocultar a velhice. Aliás, li um texto escrito por um advogado recentemente que afirmou que ser chamado de velho hoje permite até processo por reparação de dano moral. Isso quer dizer que a palavra velho  transformou-se em xingamento grave, veja só! [...]

Temos orgulho de crianças que se comportam como jovens e de velhos com “espírito jovem”. Deveríamos é ter empatia e respeito com nossa infância e nossa velhice, isso sim. Por tudo isso, e por tudo aquilo que não coube neste texto dizer, poderíamos transformar as duas datas em uma, apenas: o dia dos excluídos.

(Rosely Sayão, Extremidades da vida, FSP, 08/10/09)

Texto 2

O conceito de idoso está velho, de acordo com Ana Amélia Camarano, especialista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em envelhecimento populacional. “Hoje quem tem 70 anos é como quem tinha 50 anos tempos atrás. Uma pessoa de 60 anos, mesmo na classe mais baixa, não é idosa como foram nossos avós”.

Segundo a pesquisadora, mais do que estabelecer um novo corte, é necessário igualar as idades exigidas nas diversas políticas públicas para os idosos. Ela aponta, ainda, que o Brasil está fora do caminho no que se refere à garantia de boas condições para o envelhecimento.

(Trecho extraído da matéria “Conceito de idoso ficou velho, diz pesquisadora do Ipea”, FSP, 26/06/18)

Embora os textos 1 e 2 abordem o tema da velhice e de seu julgamento social, pertencem a gêneros distintos.

Em relação às suas características, considere as seguintes afirmativas:

1.  O texto 1 é um texto de opinião e traz marcas verbais de 1.ª pessoa.

2.  O texto 2 apresenta o tema de forma impessoal.

3.  A opinião da especialista citada no texto 2 é apresentada em suas próprias palavras, motivo pelo qual está entre aspas.

Assinale a alternativa correta.

  1. Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
  2. Somente a afirmativa 2 é verdadeira.
  3. Somente a afirmativa 3 é verdadeira.
  4. Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
  5. As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa E é correta porque todas as afirmativas são verdadeiras.

No Texto 1 há opinião pessoal: a autora manifesta juízo de valor e usa marcas de 1ª pessoa, por exemplo pensarmos, nascemos, continuamos, adaptamos, além de termos como creio, caracterizando o gênero crônica/ensaio de opinião.

No Texto 2 o tratamento é impessoal: o enunciador jornalístico relata a posição de uma especialista, sem assumir opinião própria, apresentando informação técnica e resumida.

Finalmente, a fala de Ana Amélia Camarano aparece entre aspas, o que indica reprodução literal de suas palavras e justifica a afirmativa sobre a apresentação da opinião em citação direta.

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