Questão FC588454
Entre o final do século XIX, em especial após a “abolição” do trabalho escravo no Brasil, e a transformação da então capital federal na “Paris Tropical”, sob a presidência de Rodri
Realidade Social, Histórica e Geográfica dos Estados
SELECON · 2023
Entre o final do século XIX, em especial após a “abolição” do trabalho escravo no Brasil, e a transformação da então capital federal na “Paris Tropical”, sob a presidência de Rodrigues Alves, as “picaretas” do prefeito Pereira Passos (1902 – 1906) e a égide da imposição de uma ordem capitalista no país e na cidade do Rio de Janeiro de então, as relações sociais da população brasileira sofreram profundos impactos. Destaca-se o cotidiano dos trabalhadores no Rio de Janeiro da Belle Époque. Caracteriza corretamente esse contexto histórico:
- a europeização de hábitos e costumes, em especial para as elites, seja através de novos símbolos arquitetônicos, seja através de uma nítida política de higienização que marginalizava cada vez mais a população mais pobre
- a repressão à ociosidade, num período de construção da ideologia do trabalho e do conceito de vadiagem, em especial sobre a população mais pobre da cidade, tornando-se um dos objetivos principais das medidas de controle social
- a tensão nacional e racial ditando as novas regras nas relações sociais dos moradores da cidade, mesmo com a cidade do Rio de Janeiro perdendo para a cidade de São Paulo como a maior concentração urbana de negros e mulatos no Sudeste
- o predomínio da população feminina sobre a masculina, a existência de variadas profissões exercidas à época (estivadores, ambulantes, carroceiros, sapateiros, caixeiros etc) e o predomínio de trabalhadores muito jovens (entre 17 e 26 anos)
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa destaca a repressão à ociosidade como política central na Belle Époque carioca, quando o Estado e as elites buscavam impor disciplina laboral após a abolição.
Esse período valorizou a ideologia do trabalho como norma civilizatória, criminalizando comportamentos vistos como improdutivos por meio da noção de vadiagem.
Medidas urbanísticas e policiais, campanhas de higienização e leis de ordem pública visavam transformar a paisagem e moralizar a população, pressionando pobres, ex-escravizados e migrantes a se submeterem ao mercado.
O resultado foi o uso do direito e da polícia como instrumentos de controle social, com prisões, remoções e trabalho forçado ou assistencialista para enquadrar os excluídos nas novas normas laborais.
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