Questão FC590271
A gestão de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal (1699-1782), representou uma importante mudança na política portuguesa para o Grão-Pará. Seu objetivo maior era a
Geografia dos Estados
INAZ do Pará · 2019
A gestão de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal (1699-1782), representou uma importante mudança na política portuguesa para o Grão-Pará. Seu objetivo maior era a modernização colonial na região. O historiador José Alves de Souza Jr. demonstra como esse processo não foi simplesmente uma imposição da Metrópole para Colônia, mas sim que foi marcado "por uma constante negociação com as forças sociais nele presentes, que, vivenciando e pensando suas experiências no cotidiano, também formulavam expectativas e aspirações, redefinindo suas práticas no desenrolar de suas inter-relações e de suas relações com o poder instituído (SOUZA JÚNIOR, 2012, p. 91)".
SOUZA JR, José Alves de. Tramas do Cotidiano: religião, política, guerra e negócios no Grão-Pará do setecentos. Belém: EDUFPA, 2012.
Sobre o comportamento dos sujeitos coloniais no contexto pombalino, corrobora com a afirmação do historiador mencionado o fato de que:
- Os diretores dos índios, no interior dos Diretórios, estabeleceram um comportamento prescrito nas normas impostas pela administração colonial, não associando o cargo à disputa por poder e aos negócios particulares.
- Os indígenas, após a instituição do Diretório do Índios, se submeteram plenamente à disciplina de tempo e trabalho europeu.
- Os escravizados africanos vindos com a criação da Companhia de Comércio não desenvolveram formas de resistência expressivas em sua experiência na Amazônia colonial.
- Ao tentar transformar os índios em colonos, a política indigenista da administração de Pombal visava a ocupação e defesa do território, por isso, os indígenas se tornaram protagonistas da nova política colonial.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta que a política indigenista pombalina buscou transformar indígenas em colonos com o objetivo explícito de garantir a ocupação e defesa do território. Isso significa que o processo tinha uma finalidade estratégica do ponto de vista metropolitano.
Ao mesmo tempo, essa transformação não foi automática. Os indígenas reagiram, adaptaram e reinterpretaram as normas. Em muitos locais eles negociaram condições, preservaram práticas e assumiram novos papéis sociais.
Desse modo, os indígenas passaram a ser protagonistas da nova política colonial: não apenas objetos de uma reforma, mas agentes que cruzaram interesses locais e exigências da Metrópole, influenciando a implementação e os efeitos das medidas pombalinas.
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