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Questão FC590352

José Vieira Fazenda, que foi um historiador, bibliotecário, político e médico brasileiro, faz referência, em uma das suas obras, às chuvas da sinistra noite de 21 para 22 de setemb

Geografia dos Estados

STRIX · 2019

José Vieira Fazenda, que foi um historiador, bibliotecário, político e médico brasileiro, faz referência, em uma das suas obras, às chuvas da sinistra noite de 21 para 22 de setembro de 1711, onde tal tempestade parece ter coincidido com a chegada dos franceses ao Rio de Janeiro.

 

"Forçada a barra do Rio de Janeiro e apoderando-se da ilha das Cobras, iniciou o célebre marítimo o bombardeio da cidade. 'Noite espantosa, noite terrível!', diz testemunha ocular. O seu silêncio repentinamente se perturba pelas descargas de toda a artilharia. Ao mesmo tempo se cobre o céu com horrorosa tempestade. O fogo dos relâmpagos se confunde com o fuzilar dos canhões e o ribombar destes junto aos formidáveis estrondos dos trovões repercutindo pelos ecos das montanhas davam os míseros habitantes a sinistra ideia do fim do mundo.

 

Ajuntando-se a mais terrível noite de chuva e escuridão, que pôs os caminhos de sorte que em algumas pontes se passava com água pelos peitos, e pareciam os passageiros o espetáculo de um naufrágio".

 

Disponível em. <http.l/www.snh2013.anpuh.org/resources/anais>. Acesso em: mai. 2019. Adaptado.

 

Desde a fundação da cidade do Rio de Janeiro, as chuvas de elevada intensidade estão presentes no cotidiano carioca e, no mês de abril desse ano, mais urna história dessas terríveis tempestades se repetiu, causando medo e destruição a urna cidade que nunca conseguiu se preparar para eventos climáticos corno esse. A conjuntura geográfica que se destaca por favorecer esse tipo de desastre na cidade do Rio de Janeiro é

  1. a ação das massas de ar Tropical Atlântica e Tropical Continental, que possibilitam a entrada de frentes frias no inverno e a formação de chuvas convectivas principalmente nas áreas próximas à Serra do Mar.
  2. a retinilização dos cursos fluviais e o assoreamento dos canais pluviais, formando um quadro que impacta a circulação geral da atmosfera, devido ao aumento da umidade. relativa do ar e consequente formação das chamadas chuvas de verão.
  3. a relação entre o clima tropical úmido com altas temperaturas, e a disposição do relevo formado por grandes maciços litorâneos, contribuindo com a formação de chuvas com elevada precipitação.
  4. a disposição do relevo formado por dobramentos modernos cuja posição no sentido paralelo à Costa facilita a penetração dos ventos úmidos provenientes do mar, proporcionando a ocorrência de chuvas frontais nas regiões das planícies litorâneas.
  5. a modificação antrópica das bacias de drenagem com rios intermitentes de grande extensão e pequena declividade em suas cabeceiras, associada a um processo de ocupação desordenado, horizontalizado e cem intensivo aproveitamento das áreas de encostas.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa aponta corretamente para a influência da retinilização dos cursos fluviais e do assoreamento dos canais pluviais como fatores que agravam eventos de chuva intensa no Rio de Janeiro.

Quando rios e canais são canalizados, cobertos ou assoreados, perde‑se capacidade de armazenamento e escoamento natural. A impermeabilização do solo e a retirada da vegetação aumentam o escoamento superfical, reduzindo a infiltração e elevando rapidamente os picos de vazão durante tempestades.

Essa alteração hidrológica provoca enchentes urbanas e favorece deslizamentos nas encostas ocupadas. Além disso, a maior disponibilidade de água superficial e a urbanização contribuem para ambiências locais mais úmidas, que, em conjunto com o clima e o relevo, intensificam as chuvas de verão.

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