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Questão FC610808

Leia o Texto I para responder à questão abaixo. Texto I - Vício de adolescentes em redes sociais pode virar, oficialmente, um transtorno mental; entenda Jornal o Globo Um grupo de

Interpretação de Textos (Compreensão)

CPCON UEPB · 2025

Leia o Texto I para responder à questão abaixo.

 

Texto I - Vício de adolescentes em redes sociais pode virar, oficialmente, um transtorno mental; entenda

 

Jornal o Globo

 

Um grupo de cientistas está propondo que a relação nociva de alguns adolescentes com as redes sociais e a internet seja considerada, oficialmente, um novo tipo de transtorno mental.

 

Se a proposta ganhar impulso e for aceita, ela poderia entrar no manual de estatísticas e diagnósticos da psiquiatria, o DSM, que influencia políticas públicas no mundo todo. Segundo os proponentes, a ideia é que a condição possa também integrar a Classificação Internacional de Doenças (CID), da Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

A proposta ganhou visibilidade nesta semana com a revista científica JAMA, da Associação Médica Americana, que publicou um artigo sugerindo critérios para determinar o que é o consumo exagerado de mídias sociais e a partir de que ponto ele se torna um distúrbio médico.

 

O trabalho foi baseado em um estudo feito com adolescentes pela Universidade de Stony Brook, em Nova York, liderado pela sanitarista Lauren Hale, que buscou avaliar o quanto o tempo excessivo de tela estava afetando a vida dos voluntários.

 

Inspirado em um critério gradual para avaliar gradações de alcoolismo, o pediatra Dimitri Christakis, da Universidade de Washington, propôs uma escala para avaliar a relação patológica de adolescentes com as redes de acordo com o tempo gasto nesse tipo de mídia.

 

Os dois cientistas afirmam que a situação é urgente. Nos Estados Unidos, onde mais de 95% dos adolescentes possuem smartphones, os profissionais de saúde precisam de um sistema de classificação para trabalhar com o problema. É relativamente consensual entre psicólogos e psiquiatras que os indivíduos afetados que enfrentam problemas na escola, no trabalho ou nas relações pessoais precisam de ajuda.

 

“Introduzir essa classificação não poderia ser mais urgente”, escrevem Hale e Christakis. “Enquanto acadêmicos se alongam em discussões abstratas sobre o assunto, mais de 6 milhões de adolescentes americanos já estão exibindo o que nós chamamos provisoriamente de consumo pesado de mídia, e uma parcela considerável deles provavelmente já sofre de transtorno de uso de mídia”.

 

A proposta inicial da dupla é que se definam inicialmente os limiares de tempo gasto com redes sociais e internet para identificar indivíduos com problemas. Os pesquisadores reconhecem, porém, que será preciso discutir o conteúdo consumido, porque o problema está ligado a fenômenos como o bullying e a propagação de conteúdos preconceituosos e ofensivos. “Embora o debate sobre a existência de algo como transtorno de games, vício em internet ou uso problemático de mídias sociais continue entre acadêmicos e a indústria, o tempo gasto em dispositivos envolvidos em diversas atividades está substituindo as interações do mundo real de maneira tanto sutil quanto dramática”, dizem os pesquisadores.

 

A OMS, por exemplo, já publicou um documento com diretrizes. A organização recomenda que o uso desses dispositivos seja evitado por crianças abaixo de 2 anos, e que para crianças de 2 a 4 anos não ultrapasse uma hora supervisionada por dia. A ideia é maximizar o tempo de interação com pessoas reais e desestimular o sedentarismo, seja pelo consumo games, desenhos animados ou qualquer atividade em tela.

 

Grupos de psicólogos e pediatras estão produzindo também diretrizes mais voltadas a crianças maiores e adolescentes, que têm usado também redes sociais. Para essa faixa etária acima dos 11 anos, a Academia Americana de Pediatria não estabelece um limite de tempo, por exemplo, mas pede atenção para que atividades em telas não prejudiquem sono, esportes e relações pessoais.

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria segue princípios semelhantes, e recomenda que crianças menores de 13 anos não tenham seus próprios perfis em plataformas. (Esse limite já é lei nos EUA e outros países). É recomendado que entre 13 e 17 anos o uso de redes sociais seja supervisionado.

 

Uma recomendação mais específica é a de não deixar dispositivos dentro dos quartos das crianças e adolescentes durante a noite, e retirá-los uma a duas horas antes de dormir. Outro ponto importante é evitar acesso a telas na hora de fazer lição de casa. No mais, os pediatras pedem a pais ou responsáveis atenção para sinais problemáticos, como irritabilidade excessiva diante da restrição a tablets ou smartphones.

 

Em suma, o ideal é que os pais os ajudem a avaliar a qualidade do conteúdo a ser consumido na internet e evitem fontes propensas a desinformação e hostilidade. Há casos especiais que requerem mais atenção, como adolescentes com histórico de traumas ou problema de autoimagem corporal.

 

Fonte: VÍCIO DE ADOLESCENTES EM REDES SOCIAIS PODE VIRAR, OFICIALMENTE, UM TRANSTORNO MENTAL; ENTENDA. Jornal O Globo, 5 jun. 2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/05/06/vicio-de-adolescentes-em-redes-sociais-pode-virar-oficialmente-um-transtorno-mentalentenda. ghtml.Acesso em: 12 maio 2025. Adaptado.

 

Considerando o que se afirma no último parágrafo do Texto I, conclui-se que:

  1. os pais devem estar atentos ao conteúdo consumido na internet pelos seus filhos, ajudando a avaliar a qualidade daquilo a que eles têm acesso.
  2. os pais devem avaliar apenas os conteúdos que trazem desinformação e hostilidade.
  3. os pais devem assumir a responsabilidade exclusiva sobre o que os seus filhos veem, sem participação do adolescente no processo de avaliação do conteúdo.
  4. há uma recomendação dos pediatras para que os pais fiquem atentos aos sinais problemáticos de seus filhos.
  5. o acesso a telas deve ser liberado sob supervisão exclusivamente para responderem às lições de casa.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O último parágrafo do texto afirma explicitamente que o ideal é que os pais participem da mediação do uso da internet pelos filhos, ajudando a avaliar a qualidade do conteúdo consumido e a evitar fontes nocivas.

Ao recomendar que adultos orientem sobre desinformação e conteúdos hostis, o trecho atribui aos responsáveis um papel ativo na seleção e controle do material acessado pelos adolescentes.

Além disso, o texto destaca atenção reforçada em casos especiais, como histórico de traumas ou problemas de autoimagem, o que reforça a ideia de supervisão e avaliação qualitativa do conteúdo.

Portanto, a conclusão de que os pais devem estar atentos e ajudar a avaliar a qualidade do que os filhos acessam deriva diretamente das orientações finais do texto.

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