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Questão FC61170

Texto 1 – Cercados de objetos por todos os lados Nunca possuímos tantas coisas como hoje, mesmo que as utilizemos cada vez menos. As casas em que passamos tão pouco tempo são reple

Regência

FGV · 2015

Texto 1 – Cercados de objetos por todos os lados

Nunca possuímos tantas coisas como hoje, mesmo que as utilizemos cada vez menos. As casas em que passamos tão pouco tempo são repletas de objetos. Temos uma tela de plasma em cada aposento, substituindo televisores de raios catódicos que há apenas cinco anos eram de última geração. Temos armários cheios de lençóis; acabamos de descobrir um interesse obsessivo pelo “número de fios”. Temos guarda-roupas com pilhas de sapatos. Temos prateleiras de CDs e salas cheias de jogos eletrônicos e computadores. Temos jardins equipados com carrinhos de mão, tesouras, podões e cortadores de grama. Temos máquinas de remo em que nunca nos exercitamos, mesa de jantar em que não comemos e fornos triplos em que não cozinhamos. São os nossos brinquedos: consolos às pressões incessantes por conseguir o dinheiro para comprá-los, e que, em nossa busca deles nos infantilizam. [...]

Exatamente como quando as marcas de moda põem seus nomes em roupas infantis, uma cozinha nova de aço inoxidável nos concede o álibi do altruísmo quando a compramos. Sentimo-nos seguros acreditando não se tratar de caprichos, mas de investimento na família. E nossos filhos possuem brinquedos de verdade: caixas e caixas de brinquedos que eles deixam de lado em questão de dias. E, com infâncias cada vez mais curtas, a natureza desses brinquedos também mudou. O Mc Donald’s se tornou o maior distribuidor mundial de brinquedos, quase todos usados, para fazer merchandising de marcas ligadas a filmes. [...]

Na minha vida, devo admitir que andei fascinado pelo brilho do consumo e ao mesmo tempo enojado e com vergonha de mim mesmo diante do volume do que nós todos consumimos e da atração superficial, mas forte, que a fábrica do querer exerce sobre nós.


(Sudjic, Deyan. A linguagem das coisas, Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010.)

“As casas em que passamos tão pouco tempo são repletas de objetos”. Nesse período, o pronome relativo está precedido da preposição “em”, devido à regência do verbo “passar”. A frase abaixo em que a preposição está mal-empregada em face da norma culta tradicional é:
  1. O cargo a que aspiramos deve ser ocupado urgentemente.
  2. Os assuntos sobre que discutimos não eram tão sérios.
  3. O grande trabalho em que isso implica deve ser avaliado.
  4. A obra a que se dedicou foi bem construída.
  5. O ideal por que lutou é dos mais nobres.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A frase da alternativa C está errada por causa da regência do verbo implicar quando usado com o sentido de "exigir" ou "tornar necessário". Nesse valor, implicar é transitivo direto, ou seja, deve ligar-se ao objeto sem preposição.

Portanto, a construção correta suprime o "em": O grande trabalho que isso implica deve ser avaliado. A forma com "em" introduzida antes do pronome relativo torna a regência inadequada segundo a norma culta tradicional.

Observação rápida, para fixar: quando implicar significa "resultar em" ou "conter como consequência", em usos coloquiais aparece com "em", porém na construção indicada o sentido exigido é o de "exigir", exigindo o objeto direto.

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