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Questão FC61221

Texto Cobrar responsabilidade No início do mês, um assaltante matou um jovem em São Paulo com um tiro na cabeça, mesmo depois de a vítima ter lhe passado o celular. Identificado po

Regência

FGV · 2013

Texto

Cobrar responsabilidade

No início do mês, um assaltante matou um jovem em São Paulo com um tiro na cabeça, mesmo depois de a vítima ter lhe passado o celular. Identificado por câmeras do sistema de segurança do prédio do rapaz, o criminoso foi localizado pela polícia, mas – apesar de todos os registros que não deixam dúvidas sobre a autoria do assassinato – não ficará um dia preso. Menor de idade, foi “apreendido” e levado a um centro de recolhimento. O máximo de punição a que está sujeito é submeter‐se, por três anos, à aplicação de medidas “socioeducativas”.

Não é um caso isolado na crônica de crimes cometidos por menores de idade no país. Mas houve, nesse episódio de São Paulo, uma circunstância que o transformou em mais um exemplo emblemático do equivocado abrigo legal que o Estatuto da Criança e do Adolescente confere a criminosos que estão longe de poderem justificar suas ações com o argumento da imaturidade: ao disparar friamente contra o estudante paulista, a assaltante estava a três dias de completar 18 anos. Pela selvageria do assassinato, o caso remete à barbárie de que foi vítima, no Rio, o menino João Hélio, em 2007. Também nesse episódio, um dos bandidos que participaram do martírio do garoto estava a pouco tempo de atingir a maioridade.

Nos dois casos, convencionou‐se, ao anteparo do ECA, que a diferença de alguns dias – ou, ainda que o fosse, de alguns meses – teria modificado os padrões de discernimento dos assassinos. Eles não saberiam o que estavam fazendo. É um tipo de interpretação que anaboliza espertezas da criminalidade, como o emprego de menores em ações – inclusive armadas – de quadrilhas organizadas, ou serve de salvo‐conduto a jovens criminosos para afrontar a lei.

O raciocínio, nesses casos, é tão cristalino quanto perverso: colocam‐se jovens, muitos dos quais mal entraram na adolescência, na linha de frente de ações criminosas porque, protegidos pelo ECA, e diante da generalizada ruína administrativa dos órgãos encarregados de aplicar as medidas socioeducativas, na prática eles são inimputáveis. Tornam‐se, assim, personagens de vestibulares para a entrada em definitivo, sem chances de recuperação, numa vida de crimes.

É dever do Estado (em atendimento a um direito inalienável) prover crianças e adolescentes com cuidados, segurança, oportunidades, inclusive de recuperação diante de deslizes sociais. Neste sentido, o ECA mantém dispositivos importantes, que asseguram proteção a uma parcela da população em geral incapaz de discernir entre o certo e o errado à luz das regras sociais. Mas, se estes são aspectos consideráveis, por outro lado é condenável o viés paternalista de uma lei orgânica que mais contempla direitos do que cobra obrigações daqueles a quem pretende proteger.

O país precisa rever o ECA, principalmente no que tange ao limite de idade para efeitos de responsabilidade criminal. É uma atitude que implica coragem (de enfrentar tabus que não se sustentam no confronto com a realidade) e o abandono da hipocrisia (que tem cercado esse imprescindível debate).

(O Globo, 22/04/2013)

“...é submeter‐se, por três anos, à aplicação de medidas ‘socioeducativas’; ...o caso remete à barbárie de que foi vítimaa...”;

“...distinguir entre o certo e o errado à luz das regras sociais”.

Com relação ao emprego do acento grave indicativo da crase nessas três frases, é correto afirmar que
  1. as três ocorrências exemplificam o mesmo emprego do acento grave.
  2. as duas primeiras ocorrências exemplificam um caso de acento grave diferente do da última ocorrência.
  3. as duas últimas ocorrências exemplificam um caso de acento grave diferente do da primeira ocorrência.
  4. as três ocorrências do emprego do acento grave indicativo da crase exemplificam casos distintos.
  5. a primeira e a terceira ocorrência exemplificam o mesmo caso de emprego do acento grave indicativo da crase.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Comentário: A alternativa correta é precisa, pois reforça a importância do entendimento do uso de crase nas frases apresentadas. Quando afirmamos que as duas primeiras ocorrências exemplificam o mesmo emprego do acento grave, estamos reconhecendo que ambas envolvem a combinação de uma preposição a com um artigo feminino a, formando à. Isso ocorre quando o verbo exige a preposição a e o substantivo é determinado, como em 'submeter-se à medida' e 'remeter à situação', em que o ato de submeter-se e remeter-se é a algo específico. Este entendimento é crucial para a correta aplicação no contexto gramatical da língua portuguesa, destacando a relação íntima e necessária entre a preposição e o artigo, que se juntam para indicar um sentido claro e definido nas frases. Portanto, a afirmação de que ambas exemplificam o mesmo uso é completamente válida e demonstra um domínio sobre as regras que regem a crase na linguagem.

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