Questão FC687776
Texto para a questão a seguir. Instruções para chorar Deixando de lado os motivos, atenhamo‑nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escânda
Linguagem
QUADRIX · 2025
Texto para a questão a seguir.
Instruções para chorar
Deixando de lado os motivos, atenhamo‑nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.
Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.
Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.
CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.
Assinale a opção em que o trecho do texto apresenta uma linguagem claramente próxima ao registro coloquial, do dia a dia.
- “O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco”.
- “As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara”.
- “que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela”.
- “e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior”.
- “Duração média do choro, três minutos”.
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Gabarito
B
Comentário do professor
“As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara.” apresenta registro coloquial por usar vocabulário simples e imagens do dia a dia em vez de termos técnicos ou eruditos.
O verbo acompanhado do gerúndio (esfregando) descreve uma ação imediata e concreta, recurso comum na fala e em instruções orais. A expressão “na cara” é mais familiar que a alternativa formal “no rosto”, sinal claro de linguagem cotidiana.
Além disso, a cena é descrita de modo direto e econômico: sujeito genérico, ação física e objeto reconhecível (manga do casaco), o que reforça o tom instrutivo e informal típico da conversação.
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