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Questão FC687809

Texto para a questão. O verão de 2015 foi particularmente dramático para a saúde pública no Brasil: o Aedes aegypti, que, há alguns verões, inquietava como transmissor da dengue, p

Interpretação de Textos (Compreensão)

QUADRIX · 2025

Texto para a questão.

 

O verão de 2015 foi particularmente dramático para a saúde pública no Brasil: o Aedes aegypti, que, há alguns verões, inquietava como transmissor da dengue, passou a se associar a duas outras patologias, então relativamente desconhecidas do público e dos cientistas: zika e chikungunya. Se, inicialmente, esta provocou apreensão pelos graves efeitos decorrentes do ataque às articulações, que podem estender‑se por alguns meses e até anos, aquela, uma virose branda que pode até incidir sem sintomas, logo assumiu a cena por se comprovar implicada em malformações congênitas. Em razão disso, a zika passou a representar ameaça particular a mulheres grávidas, acionando uma série de representações e discursos ligados a papéis de gênero e direitos reprodutivos.

 

A calamidade sanitária acompanhou a instabilidade política do País e uma crise econômica que repercutiram na capacidade das agências de saúde pública de responder ao desafio da tríplice epidemia. A declaração de guerra ao mosquito, em um enquadramento beligerante reforçado pela mídia impressa e online, além de enfocar ações paliativas, individualizou o fardo da prevenção nas mulheres, propagando o medo e as incertezas relacionadas à microcefalia.

 

Historicamente, o A. aegypti é bastante associado à febre amarela, doença que remete às epidemias urbanas do início do século XX e às campanhas sanitárias de grandes proporções destinadas a exterminá‑lo em diferentes amplitudes geográficas – de bairros, cidades e regiões a nações e continentes.

 

No imaginário social mais recente, esse mosquito vincula‑se à dengue, que se estabeleceu no território brasileiro como ameaça permanente a partir de surto ocorrido no Rio de Janeiro, em 1986. Nas últimas décadas do século XX, a dengue irrompeu em epidemias frequentes e de grande intensidade, praticamente reatualizando a máxima que corria entre os cariocas no início do século XX – “ano de mangas, ano de febre amarela” –, a qual antecipava o temor de surto epidêmico em verões cálidos. Se, em razão disso, o A. aegypti passou a ser o “mosquito da dengue” e depois veículo de outras duas doenças, do final de 2016 até meados de 2017, tornou a despontar como ameaça da antiga patologia que o celebrizou, visto que a ocorrência de surtos de febre amarela silvestre em vários pontos do território brasileiro trouxe a possibilidade de ela se reinstalar nas cabeças urbanas do País e reeditar as fatais epidemias da segunda metade do século XIX e da primeira metade do século XX.

 

Internet: <www.redalyc.org> (com adaptações).

 

É correto deduzir do segundo parágrafo do texto que a expressão “tríplice epidemia” refere‑se a

  1. chikungunya, febre amarela e zika.
  2. febre amarela, doença do mosquito e dengue.
  3. dengue, zika e chikungunya.
  4. dengue, microcefalia e chikungunya.
  5. zika, febre amarela e dengue.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

No texto, a expressão “tríplice epidemia” remete explicitamente às três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti mencionadas no primeiro parágrafo.

Ali se esclarece que o mosquito, além de inquietar como transmissor da dengue, passou a se associar a outras duas patologias: zika e chikungunya. O segundo parágrafo retoma esse quadro ao tratar da incapacidade das agências de saúde para responder ao desafio da tríplice epidemia e às consequências da zika para gestantes, como a microcefalia.

Portanto, a única inferência coerente com o texto é que a expressão designa justamente dengue, zika e chikungunya.

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