FC ConcursosFC Concursos

Questão FC687812

Texto para a questão. O verão de 2015 foi particularmente dramático para a saúde pública no Brasil: o Aedes aegypti, que, há alguns verões, inquietava como transmissor da dengue, p

Interpretação de Textos (Compreensão)

QUADRIX · 2025

Texto para a questão.

 

O verão de 2015 foi particularmente dramático para a saúde pública no Brasil: o Aedes aegypti, que, há alguns verões, inquietava como transmissor da dengue, passou a se associar a duas outras patologias, então relativamente desconhecidas do público e dos cientistas: zika e chikungunya. Se, inicialmente, esta provocou apreensão pelos graves efeitos decorrentes do ataque às articulações, que podem estender‑se por alguns meses e até anos, aquela, uma virose branda que pode até incidir sem sintomas, logo assumiu a cena por se comprovar implicada em malformações congênitas. Em razão disso, a zika passou a representar ameaça particular a mulheres grávidas, acionando uma série de representações e discursos ligados a papéis de gênero e direitos reprodutivos.

 

A calamidade sanitária acompanhou a instabilidade política do País e uma crise econômica que repercutiram na capacidade das agências de saúde pública de responder ao desafio da tríplice epidemia. A declaração de guerra ao mosquito, em um enquadramento beligerante reforçado pela mídia impressa e online, além de enfocar ações paliativas, individualizou o fardo da prevenção nas mulheres, propagando o medo e as incertezas relacionadas à microcefalia.

 

Historicamente, o A. aegypti é bastante associado à febre amarela, doença que remete às epidemias urbanas do início do século XX e às campanhas sanitárias de grandes proporções destinadas a exterminá‑lo em diferentes amplitudes geográficas – de bairros, cidades e regiões a nações e continentes.

 

No imaginário social mais recente, esse mosquito vincula‑se à dengue, que se estabeleceu no território brasileiro como ameaça permanente a partir de surto ocorrido no Rio de Janeiro, em 1986. Nas últimas décadas do século XX, a dengue irrompeu em epidemias frequentes e de grande intensidade, praticamente reatualizando a máxima que corria entre os cariocas no início do século XX – “ano de mangas, ano de febre amarela” –, a qual antecipava o temor de surto epidêmico em verões cálidos. Se, em razão disso, o A. aegypti passou a ser o “mosquito da dengue” e depois veículo de outras duas doenças, do final de 2016 até meados de 2017, tornou a despontar como ameaça da antiga patologia que o celebrizou, visto que a ocorrência de surtos de febre amarela silvestre em vários pontos do território brasileiro trouxe a possibilidade de ela se reinstalar nas cabeças urbanas do País e reeditar as fatais epidemias da segunda metade do século XIX e da primeira metade do século XX.

 

Internet: <www.redalyc.org> (com adaptações).

 

No último parágrafo do texto, a expressão popular “ano de mangas, ano de febre amarela”, empregada no Rio de Janeiro, no início do século XX, indicava

  1. a relação entre a ocorrência de epidemias de febre amarela e a estação do verão, que favorecia o amadurecimento das mangas e a proliferação dos vetores da doença.
  2. o surgimento de casos isolados de febre amarela silvestre quando havia muita produção de manga.
  3. o aumento do calor que fazia aumentar a proliferação de pés de mangas no período da febre amarela.
  4. a associação entre a febre amarela silvestre e o crescimento de mangas na zona urbana do Rio de Janeiro.
  5. o aumento da quantidade de mangueiras na zona urbana do Rio de Janeiro.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

A

Comentário do professor

A expressão "ano de mangas, ano de febre amarela" relacionava a ocorrência de surtos à estação do verão, quando as mangas amadurecem. Esse provérbio registrava, em linguagem popular, a associação entre época quente e o aumento de casos da febre amarela.

O fundamento é epidemiológico: no verão há temperaturas e umidade que favorecem a reprodução dos vetores. Condições climáticas aceleram o ciclo de mosquitos e multiplicam criadouros, elevando o risco de transmissão.

Assim, a expressão não aponta causalidade direta das mangas, mas funciona como indicador sazonal. Era uma observação prática que sinalizava maior probabilidade de epidemias e alertava para cuidados de saúde pública.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo