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Questão FC693504

Texto 1 Tanto técnica quanto economicamente, a publicidade e a indústria cultural se confundem. Tanto lá como cá, a mesma coisa aparece em inúmeros lugares, e a repetição mecânica

Filosofia Moderna

VUNESP · 2024

Texto 1

 

Tanto técnica quanto economicamente, a publicidade e a indústria cultural se confundem. Tanto lá como cá, a mesma coisa aparece em inúmeros lugares, e a repetição mecânica do mesmo produto cultural já é a repetição do mesmo slogan propagandístico. Lá como cá, sob o imperativo da eficácia, a técnica converte-se em psicotécnica, em procedimento de manipulação das pessoas.

 

(Max Horkheimer e Theodor W. Adorno. Dialética do esclarecimento, 1985.)

 

Texto 2

 

Investida de um forte apelo à personalização e ao reconhecimento socioafetivo, a atual forma publicitária produz essencialmente o desejo por consumo, em seu sentido mais amplo. É a própria sociedade que se dá a consumir através desse mundo de valores desejáveis.

 

(Maria de Fátima Vieira Severiano.

“Pseudo-individuação e homogeneização na cultura do consumo:

reflexões críticas sobre as subjetividades contemporâneas na publicidade”.

Estudos e pesquisas em psicologia, 2006. Adaptado.)

 

A discussão comum aos dois textos coloca em questionamento

  1. a ineficácia das estratégias de marketing.
  2. a capacidade de produção artesanal.
  3. a potencialidade das pequenas empresas.
  4. a autonomia dos processos criativos.
  5. a liberdade de escolha do indivíduo.
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Comentário do professor

Os dois textos colocam em questão a liberdade de escolha do indivíduo ao mostrar como práticas publicitárias e a indústria cultural moldam desejos e decisões de consumo.

Horkheimer e Adorno alertam que a técnica vira psicotécnica, isto é, um recurso de manipulação que repete produtos e slogans, promovendo a homogeneização cultural e reduzindo o espaço para o discernimento crítico.

Severiano evidencia a pseudo-individualização pela personalização afetiva: anúncios que simulam reconhecimento produzem o desejo de consumir como forma de pertencimento.

Juntos, os textos mostram que escolhas parecem livres, mas são frequentemente orientadas por estratégias que direcionam preferências, o que legitima a interrogação sobre a real autonomia do sujeito consumidor.

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