Questão FC693593
O desenvolvimento da ideia do valor da transformação da natureza, da produção, guiada pela teoria e pela ciência, prolonga-se pelos séculos XVI e XVII. O século XVIII marca, nesse
Filosofia Contemporânea
VUNESP · 2023
O desenvolvimento da ideia do valor da transformação da natureza, da produção, guiada pela teoria e pela ciência, prolonga-se pelos séculos XVI e XVII. O século XVIII marca, nesse processo, uma reviravolta decisiva: os enciclopedistas – filósofos franceses ideólogos do humanismo burguês, também chamados de iluministas – louvam a técnica, as artes mecânicas, a indústria do homem; exaltam o domínio do homem sobre a natureza, graças ao trabalho e à técnica. O homem se afirma por dois caminhos – teórico e prático – que se uniriam na técnica. Em diversos tons, os pensadores iluministas e enciclopedistas do século XVIII afirmam a positividade da cultura, da ciência, da técnica e do trabalho humano. Apenas uma voz destoa: a de Jean-Jacques Rousseau.
(Susana Albornoz. O que é trabalho, 2008. Adaptado)
Ao discorrer sobre o desenvolvimento filosófico da noção de trabalho na obra “O que é trabalho”, a autora argumenta que Rousseau destoa, pois entende que os avanços mencionados
- conduzem a corrupção da natureza humana.
- geram a superação da crise positivista.
- promovem a criticidade sobre o progresso.
- conflitam com uma moralidade tecnicista.
- tensionam com uma sociedade hierarquizada.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Rousseau destoa dos iluministas porque entende que o progresso técnico e científico, quando promovido sem reflexão ética, entra em conflito com a moralidade tecnicista. Para ele, a técnica passa a orientar valores e fins sociais, não apenas meios.
Essa moralidade tecnicista privilegia eficiência, controle da natureza e utilitarismo, transformando relações humanas em instrumentos para fins produtivos. Assim, a técnica deixa de ser neutra e impõe uma lógica que corrói valores morais.
Na visão de Rousseau, esse predomínio técnico conduz à perda da bondade natural, ao aumento do desejo por luxo e à ampliação das desigualdades, comprometendo a liberdade e a virtude cívica. Portanto, os avanços técnicos conflitam com uma ética que preserve a dignidade humana.
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