Questão FC693640
O potencial apocalíptico da técnica – sua capacidade para pôr em perigo a sobrevivência do gênero humano ou corromper sua integridade genética, ou alterá-la arbitrariamente, ou até
Ramos da Filosofia
VUNESP · 2023
O potencial apocalíptico da técnica – sua capacidade para pôr em perigo a sobrevivência do gênero humano ou corromper sua integridade genética, ou alterá-la arbitrariamente, ou até mesmo destruir as condições de uma vida mais elevada sobre a terra – coloca a questão metafísica com a qual a ética nunca fora anteriormente confrontada, qual seja: se e por que deve haver uma humanidade; por que, portanto, o homem deve ser mantido tal como a evolução o produziu; por que deve ser respeitada sua herança genética; sim, porque, em geral, deve haver vida. A pergunta não é ociosa como parece, pois a resposta a ela é significativa acerca do quanto, permitidamente, nos é lícito arriscar em nossas grandes apostas tecnológicas e quais riscos são inteiramente inadmissíveis. Todo jogo suicida com essa existência está categoricamente proibido, e ousadias técnicas, nas quais esta é a aposta, ainda que apenas remotíssima, devem ser desde o início excluídas.
(Oswaldo Giacoia Junior. “Hans Jonas: Porque a técnica moderna
é um objeto para a ética”. Natureza Humana, 1999. Adaptado)
O trecho consiste na tradução da obra de Hans Jonas pelo filósofo Oswaldo Giacoia Junior. O conceito proposto por Jonas, que subjaz sua abordagem ética para responder à questão metafísica colocada, consiste no
- relativismo cultural.
- imperativo categórico.
- justo-meio.
- princípio responsabilidade.
- princípio da utilidade.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O princípio da utilidade afirma que a moralidade de ações ou políticas é avaliada por suas consequências, especialmente pelo quanto promovem a felicidade ou reduzem a dor agregada entre os afetados.
Aplicado ao trecho, essa perspectiva responde à questão sobre a manutenção da humanidade ponderando custos e benefícios futuros: preservar certa condição humana é moralmente exigido se sua proteção maximiza o bem-estar coletivo em comparação com alternativas.
Na prática, o princípio impõe um cálculo utilitarista de riscos tecnológicos, aceitando empreendimentos cujos ganhos esperados superem prejuízos, e repelindo apostas cujo resultado provável diminua substancialmente a soma total de bem-estar, como a destruição da vida ou da herança genética.
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