Questão FC693852
Questões sobre a natureza do mal ou por que existe o mal em um mundo criado por um Deus bom sempre foram centrais nas discussões sobre ética na tradição cristã. Agostinho havia ini
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VUNESP · 2025
Questões sobre a natureza do mal ou por que existe o mal em um mundo criado por um Deus bom sempre foram centrais nas discussões sobre ética na tradição cristã. Agostinho havia inicialmente simpatizado com o maniqueísmo, cuja crença central consiste em afirmar a existência de dois princípios fundamentais que governam o universo, o Bem e o Mal, representados pela Luz e pelas Trevas, equivalentes em força e em permanente combate. Após sua conversão e o desenvolvimento de seu pensamento, Santo Agostinho passa a combater explicitamente o maniqueísmo, defendendo uma posição acerca da natureza do bem e do mal de inspiração platônica (Marcondes, Danilo. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2007).
Desse modo, para Agostinho, o mal
- constitui uma realidade inefável, mas tendo um poder causal no mundo.
- caracteriza-se como carência ou imperfeição, não tendo existência real.
- direciona a ação humana por propiciar a incorporação de forças malignas.
- opera como motivador subjacente da ação por conta do pecado original.
- contrapõe-se ao bem ao explorar os traços negativos da natureza humana.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Para Agostinho o mal é entendido como privação do bem, conceito expresso em latim como privatio boni. Ele não é uma substância ou força autônoma, mas uma falta ou imperfeição perante o ser.
Dizer que o mal não tem existência real significa que ele não possui ser próprio; depende do bem para ser descrito, pois só pode ser identificado como ausência ou corrupção do que deveria ser pleno.
No plano moral, o mal surge quando a vontade livre se desordena e afasta-se do bem, provocando carências no agir humano. No plano natural, manifesta-se como deterioração ou limitação das coisas criadas.
Assim a explicação augustiniana reconcilia a bondade divina com a existência do mal, atribuindo a este um caráter de falta e não de entidade criada.
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