Questão FC693872
No livro Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não-ser como fundamento do ser, Sueli Carneiro escreve na Introdução: “Falarei do lugar da escrava. Do lugar dos exc
Sem classificação
VUNESP · 2025
No livro Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não-ser como fundamento do ser, Sueli Carneiro escreve na Introdução: “Falarei do lugar da escrava. Do lugar dos excluídos da res(pública). Daqueles que na condição de não cidadãos estavam destituídos do direito à educação. Dirijo-me a ti, Eu hegemônico, falando do lugar do “paradigma do Outro”, consciente de que é nele que estou inscrita por ti e que, “graças” a ele, expectativas se criaram em relação a mim. Estou ciente de que mesmo tentando negá-las, elas podem se realizar, já que me encontro condicionada por uma ‘unidade histórica e pedagogicamente anterior’ da qual eu seria uma aplicação. Uma aplicação histórica cuja consciência se renova permanentemente pela memória d’alma da escravidão herdada de minha ancestralidade e, antes dela, das representações negativas que estiveram desde longe associadas ao meu corpo negro (Carneiro, Sueli. Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não-ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro, Zahar, 2023).
Para Sueli Carneiro, a construção social da alteridade analisada no livro
- é forjada a partir de princípios republicanos.
- obedece a critérios raciais discriminatórios.
- independe da herança histórica da escravidão.
- implementa o ideal iluminista de igualdade.
- democratiza o acesso à educação e à cultura.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
B
Comentário do professor
Obedece a critérios raciais discriminatórios. Sueli Carneiro demonstra que a construção do “outro” passa pela racialização: corpos negros são inscritos como paradigma do Outro e marcados por uma memória d’alma da escravidão que naturaliza sua exclusão.
Esse processo não é neutro; funciona como uma lógica histórica e pedagógica que associa negativamente o corpo negro a inferioridade, condicionando expectativas sociais e negando direitos como a cidadania e o acesso à educação.
Em consequência, as diferenças são transformadas em justificativas para hierarquias e para a manutenção de desigualdades. Identificar essa racialização é passo necessário para desconstruir as práticas discriminatórias.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em