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Questão FC693937

A colonialidade diz respeito às condições de estabelecimento do capitalismo como padrão de funcionamento mundial, operando através da “imposição de uma classificação racial/étnica

Sem classificação

VUNESP · 2025

A colonialidade diz respeito às condições de estabelecimento do capitalismo como padrão de funcionamento mundial, operando através da “imposição de uma classificação racial/étnica da população do mundo”, incluindo um conjunto de dispositivos que recobre, entre outros: o trabalho; o meio ambiente e os seus recursos de produção; o sexo; a subjetividade; e a autoridade e os seus instrumentos de regulação das relações sociais. A colonização implicou a desconstrução da estrutura societal, reduzindo os saberes dos povos colonizados à categoria de crenças ou pseudossaberes. Essa hegemonia, no caso da colonização do continente africano, passou a desqualificar e invisibilizar os saberes tradicionais, proporcionando uma completa desconsideração do pensamento filosófico desses povos. Neste sentido, estamos diante do racismo epistêmico.

 

(Renato Noguera. O Ensino de Filosofia e a Lei nº 10.639, 2011. Adaptado)

 

A partir do excerto, uma consequência filosófica do racismo epistêmico é a

  1. dissolução das fronteiras entre ciência e tradição, assegurando idêntico valor a todas as formas de saber.
  2. consolidação de um ambiente intelectual que favorece a convivência harmônica entre distintas tradições de saber.
  3. transformação do pensamento europeu em critério normativo para definir o que conta como conhecimento válido.
  4. consolidação de epistemologias não ocidentais, convertidas em referenciais centrais na filosofia acadêmica.
  5. assimilação dos conhecimentos africanos e indígenas como complementares ao desenvolvimento da racionalidade moderna.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa destaca que o racismo epistêmico produz uma hierarquização do saber em que o pensamento europeu passa a funcionar como critério normativo do que é considerado conhecimento válido.

Isso ocorre quando práticas, linguagens e métodos europeus são universalizados e impostos como padrões neutros, enquanto saberes locais são tratados como crenças, não-ciencia ou folclore. Esse processo não é apenas cultural, é epistemológico: define regras de verdade, objetividade e metodologia.

Como consequência filosófica, perguntas sobre o que conta como explicação, justificativa e evidência ficam subordinadas a uma matriz eurocêntrica, silenciando outras ontologias e epistemes e perpetuando desigualdades no reconhecimento e na autoridade do saber.

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