Questão FC693983
As perguntas de Sócrates deixavam os interlocutores embaraçados, irritados, curiosos, pois, quando tentavam responder ao célebre “o que é?”, descobriam, surpresos, que não sabiam e
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VUNESP · 2023
As perguntas de Sócrates deixavam os interlocutores embaraçados, irritados, curiosos, pois, quando tentavam responder ao célebre “o que é?”, descobriam, surpresos, que não sabiam e que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas ideias. Mas o pior não era isso. O pior é que as pessoas esperavam que Sócrates soubesse as respostas às perguntas, como os sofistas pareciam saber, mas Sócrates, para desconcerto geral, dizia: “Eu também não sei, por isso estou perguntando”.
(Marilena Chaui. Convite à Filosofia. 2008. Adaptado)
O excerto remete a um ideal da filosofia de Sócrates, que defendia que o conhecimento começa a ser construído a partir
- do aprendizado oferecido pelos sofistas.
- da consciência da própria ignorância.
- do reconhecimento da verdade dogmática.
- da compreensão inata aos humanos.
- de questionamentos desordenados.
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Gabarito
B
Comentário do professor
O excerto indica que, para Sócrates, o ponto de partida do saber é a consciência da própria ignorância. Ao admitir "Eu também não sei", ele expõe a fragilidade das respostas prontas e força o interlocutor a confrontar suas próprias suposições.
Esse reconhecimento inicial funciona como motor da investigação: a dúvida revela contradições e cria a necessidade de esclarecer conceitos e justificativas.
Por meio da maiêutica e do exame crítico (elenchus), Sócrates conduz o diálogo de modo que a ignorância assumida se transforme progressivamente em entendimento mais claro e fundamentado.
Portanto, o conhecimento começa quando se aceita a limitação do saber e se adota a humildade intelectual como estímulo à reflexão e ao diálogo.
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