Questão FC700161
Leia o texto a seguir para responder a questão a seguir: Como pode ser visto na bibliografia de Wilson (2007), muita coisa já foi publicada sobre o assunto. Isso não significa, no
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VUNESP · 2025
Leia o texto a seguir para responder a questão a seguir:
Como pode ser visto na bibliografia de Wilson (2007), muita coisa já foi publicada sobre o assunto. Isso não significa, no entanto, que já existe um conhecimento consolidado sobre a adoção de estratégias e a utilização de recursos para esse fim. Se a literatura sobre o ensino de inglês para surdos é indicativa, o que mais se encontra são relatos de experiência de professores e instituições. Essa literatura é difícil de ser avaliada pela falta de informações precisas sobre as variáveis centrais como: os objetivos do ensino (e.g., língua oral ou língua escrita), o contexto de ensino (língua oral ou língua de sinais, classes especiais ou inclusivas) e o perfil dos alunos (oralizados ou fluentes em língua de sinais). Essa imprecisão é o resultado, em parte, das exigências imediatas dos contextos de ensino: as instituições tinham alunos para ser educados e os educadores buscavam soluções práticas possíveis; e objetivo não era o de fazer pesquisa básica com os controles necessários. Mas a imprecisão também é o resultado da falta de conhecimentos teóricos sobre os assuntos tratados neste artigo: a natureza linguística das línguas de sinais, a precariedade da oralização come aquisição de língua, os efeitos de aquisição tardia de uma primeira língua, o papel cognitivo fundamental de uma “língua do berço”, o papel da socialização entre surdos na aquisição de língua gestual. A literatura deve ser lida sempre com esses parâmetros em mente.
(Leland McCleary. O ensino de língua estrangeira e a questão da diversidade)
De acordo com o texto, as principais razões pelas quais a literatura sobre o ensino de inglês para surdos carece de precisão nas informações sobre as variáveis centrais são
- a falta de investigação sobre o papel cognitivo da “língua do berço” e a ausência de estudos que comparem o ensino em classes especiais com o ensino em classes inclusivas.
- a inexistência de modelos teóricos sobre a natureza linguística das línguas de sinais e a dificuldade em recrutar alunos oralizados fluentes para os estudos de caso.
- a priorização da disseminação de soluções didáticas rápidas pelos educadores e a falta de exigência governamental para que se conduza pesquisa básica com controles.
- o foco na solução imediata de problemas em sala de aula e a falta de conhecimento linguístico sobre a línguas de sinais.
- o desprezo pela aquisição tardia de uma primeira língua pelos pesquisadores e o desconhecimento sobre os efeitos do uso de língua oral versus língua de sinais no contexto de ensino.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Solução imediata: em muitos contextos os profissionais precisavam atender alunos rapidamente, privilegiando práticas e relatos de experiência. Esses registros têm caráter pragmático e pouco controle metodológico, por isso não especificam claramente as variáveis centrais como objetivos, contexto e perfil dos alunos.
Falta de conhecimento linguístico: a carência de fundamentação sobre a natureza das línguas de sinais, sobre processos de oralização e sobre os efeitos da aquisição tardia impede que estudos descrevam e interpretem adequadamente dados relevantes.
Esses dois fatores combinados resultam em literatura difícil de avaliar: sem enquadramento teórico e sem definição precisa das condições de ensino, torna-se impreciso saber a quem e em que contexto se aplicam as práticas relatadas.
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