Questão FC716726
Leia o texto a seguir para responder à questão Literatura de jornal C) (o que é a crônica) Artur da Távola A crônica é a expressão das contradições da vida e da pessoa do escritor
Vocábulo "Que"
Instituto AVALIA · 2025
Leia o texto a seguir para responder à questão
Literatura de jornal C) (o que é a crônica)
Artur da Távola
A crônica é a expressão das contradições da vida e da pessoa do escritor ou jornalista, exposto que fica, com suas vísceras existenciais à mostra no açougue da vida, B) penduradas à espera do consumo de outros como ele, enrustidos, talvez, na manifestação dos sentimentos, ideias, verdades e pensamentos.
Já escrevi mais de cinco mil crônicas. E a uns estudantes que me pediram uma síntese sobre o gênero, respondi o seguinte:
É o samba da literatura. É ao mesmo tempo a poesia, o ensaio, a crítica, o registro histórico, o factual, o apontamento, a filosofia, o flagrante, o miniconto, o retrato, o testemunho, a opinião, o depoimento, a análise, a interpretação, o humor. Tudo isso ela contém, a polivalente. Direta e simples como um samba. Profunda como a sinfonia.
É compacta, rápida, direta, aguda, penetrante, instantânea (dissolve-se com o uso diário), biodegradável, (...) oxalá perfume, saudade e algum brilho de vida no sorriso ou na lágrima do leitor. A literatura do jornal. O jornalismo da literatura. É a pausa de subjetividade, ao lado da objetividade da informação do restante do jornal. Um instante de reflexão, diante da opinião peremptória do editorial.
É tímida e perseverante. Não se engalana com os grandes edifícios da literatura, mas pode conter alguns de seus melhores momentos. Não se enfeita com os altos sistemas de pensamento, mas pode conter a filosofia do cotidiano e da vida que passa. A) Não se empavona com a erudição dos tratados, mas pode trazer agudeza de percepção dos bons ensaios.
Para ser boa, não deve ser mastigada. Deve dissolver-se na boca do leitor, deixando um sabor de vivência comum. Deve parecer que D) já estava escrita há muito tempo na sensibilidade de quem a lê e foi apenas lembrada ou ativada pelo escritor/jornalista que lhe deu forma. D)
Deve ser rápida como a percepção e demorada como a recordação. Verdadeira como um poente e esperançosa como a aurora. (...) Suave como pele de mulher amada e irritada como uma criança com fome.
Terna como a amamentação e insegura como toda primeira vez. Religiosa como a portadora do mistério e agnóstica como um livre pensador. A crônica nos obriga à síntese, à capacidade de condensar emoções em parágrafos-barragem. Faz-nos prosseguir, mesmo quando nos sentimos repetitivos. É, pois, a expressão jornalístico-literária da necessidade de não desistir de ser e sentir. A crônica é o samba da literatura.
Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/ntc_l.php?t=044.
Assinale a alternativa em que a palavra destacada no período correspondente introduz uma oração com o sentido de causa em relação ao conteúdo anterior.
- “Não se enfeita com os altos sistemas de pensamento, mas pode conter a filosofia do cotidiano e da vida que passa.”
- “A crônica é a expressão das contradições da vida e da pessoa do escritor ou jornalista, exposto que fica, com suas vísceras existenciais à mostra no açougue da vida.”
- “Literatura de jornal (o que é a crônica).”
- “Deve parecer que (...) foi apenas lembrada ou ativada pelo escritor/jornalista que lhe deu forma.”
- “Deve parecer que já estava escrita há muito tempo na sensibilidade de quem a lê.”
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Gabarito
B
Comentário do professor
A expressão exposto que fica funciona como um deslocamento do particípio exposto, seguido de que que introduz a oração que explica por que as “vísceras existenciais” estão à mostra. Nesse contexto, que não apenas retoma o adjetivo; cria uma relação de causa entre o estado de exposição e a consequência descrita.
Um teste prático confirma o valor causal: substituir que por conectivos causais mantém o sentido — por exemplo, já que fica exposto / visto que fica exposto / por ficar exposto. Essa possibilidade de substituição evidencia que a oração introduzida tem função explicativa de causa.
Portanto, em “exposto que fica, com suas vísceras...”, o que introduz uma oração com valor causal, justificando semanticamente o trecho anterior.
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