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Questão FC725537

Uma das questões mais complexas relacionadas ao sistema financeiro está associada aos fatores determinantes das taxas de juros nas economias capitalistas. Na atualidade, a maioria

Macroeconomia

CESGRANRIO · 2024

Uma das questões mais complexas relacionadas ao sistema financeiro está associada aos fatores determinantes das taxas de juros nas economias capitalistas. Na atualidade, a maioria dos Bancos Centrais consegue exercer o controle sobre a taxa básica de juros de curto prazo, que é considerada a taxa de política monetária (policy-rate), mas não necessariamente sobre as taxas de juros de mercado, notadamente as de longo prazo.

No trecho seguinte, John Maynard Keynes, um dos formuladores da teoria da taxa de juros, faz um comentário crítico a respeito do tema.

A teoria ortodoxa da taxa de juros pertence, na verdade, a um estágio de pressupostos de abstrações econômicas diferentes do que atualmente estamos utilizando. Isto porque [segundo Keynes] a taxa de juros e a eficiência marginal do capital referem-se particularmente ao caráter indefinido de expectativas reais; elas resumem o efeito, sobre as decisões de mercado dos homens, de todo tipo de dúvidas vagas e de flutuantes estados de confiança e coragem. Ou seja, elas pertencem a um estágio de nossa teoria no qual não estamos mais supondo um futuro definido e calculável. A teoria ortodoxa, por outro lado, refere-se a um mundo simplificado, em que sempre existe pleno-emprego e do qual a dúvida e as flutuações de confiança são excluídas, não havendo ocasião para manter saldos inativos, e no qual os preços devem constantemente estar num nível que, apenas para satisfazer o motivo transacional e sem deixar a qualquer excedente ser absorvido pelos motivos de precaução e de especulação, faz com que o estoque total de moeda valha uma taxa de juros idêntica à eficiência marginal do capital correspondente ao pleno-emprego.

KEYNES, J. M. A teoria da taxa de juros. In: SZMRECSÁNYI, T. (org.). John Maynard Keynes, Economia. Artigos selecionados de John Maynard Keynes. São Paulo: Ática, 1978. p.160-166. Adaptado.

 

De acordo com a teoria proposta por Keynes, as taxas de juros de mercado são fortemente condicionadas pelo(a)

  1. equilíbrio entre a poupança e o investimento
  2. equilíbrio entre a oferta de moeda e a demanda de moeda para fins de transação
  3. estoque de moeda existente
  4. grau de preferência pela liquidez
  5. capacidade de previsibilidade futura do mercado
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Gabarito

D

Comentário do professor

Segundo Keynes, a taxa de juros é determinada fundamentalmente pelo grau de preferência pela liquidez. Esse conceito representa a demanda por moeda em mãos, dada uma certa oferta monetária, e pode ser formalizada pela identidade \(M = L(i,Y)\), onde \(L\) é a função de preferência pela liquidez que depende negativamente da taxa de juros e positivamente da renda.

A preferência pela liquidez agrega três motivos principais: transação, para efetuar pagamentos; precaução, para enfrentar riscos e incertezas; e especulação, relacionada a expectativas sobre movimentos futuros das taxas. Quanto maior essa preferência, maior será a taxa necessária para convencer agentes a aplicar recursos em títulos.

Portanto, a taxa de equilíbrio surge do ponto em que a oferta de moeda casa com a demanda por liquidez; a preferência por liquidez traduz, em última instância, a aversão a abrir mão da moeda e a incerteza sobre o futuro.

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