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Questão FC725769

Em conhecido trecho da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, Keynes expõe as dificuldades de se estabilizarem as taxas de juros de mercado em situações de crise. Um aumento

Macroeconomia

CESGRANRIO · 2024

Em conhecido trecho da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, Keynes expõe as dificuldades de se estabilizarem as taxas de juros de mercado em situações de crise.

 

Um aumento da taxa monetária de juros retarda a produção de riquezas em todos os ramos em que ela é elástica, sem estimular a produção da moeda (que, por hipótese, é perfeitamente inelástica). A taxa monetária de juros, determinando o nível de todas as demais taxas de juros de mercadorias, refreia o investimento para produzir essas mercadorias, sem poder estimular o investimento necessário para produzir moeda que, por hipótese, não pode ser produzida [...]. Quer isso dizer que o desemprego aumenta porque as pessoas querem a Lua; os homens não podem conseguir emprego quando o objeto de seus desejos (isto é, o dinheiro) é uma coisa que não se produz e cuja demanda não pode ser facilmente contida. O único remédio consiste em persuadir o público de que Lua e queijo verde são praticamente a mesma coisa, e a fazer funcionar uma fábrica de queijo verde (isto é, um Banco Central) sob o controle do poder público.

 

KEYNES, J. M. Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. São Paulo: Nova Cultural, 1996, p.229. Adaptado.

 

No trecho mencionado, Keynes reconhece o papel do Banco Central na estabilização da economia nos períodos que se seguem às crises monetário-financeiras. Apesar disso, o autor não viveu para testemunhar as políticas monetárias não convencionais, como as taxas de juros nominais próximas de zero (Zero Lower Bound) e as políticas de afrouxamento monetário (Quantitative Easing - QE), adotadas pelo Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve Bank - FED) e pelo Banco Central Europeu, nos anos imediatamente após a crise financeira global de 2008.

 

Com respeito ao QE, o principal objetivo do FED e do Banco Central Europeu, alinhado com a concepção de Keynes sobre a determinação das taxas de juros, foi

  1. reduzir a demanda de moeda para fins especulativos, mediante venda expressiva de títulos de médio e longo prazos nos mercados financeiros, forçando a redução de seus preços e a consequente queda das taxas de juros.
  2. reduzir a demanda de moeda para fins especulativos, mediante compras expressivas de títulos de médio e longo prazos nos mercados financeiros, forçando o aumento de seus preços e a consequente queda das taxas de juros.
  3. aumentar a oferta monetária e promover a redução da demanda de moeda para transações.
  4. aumentar os spreads entre as taxas de juros de longo prazo e as taxas de juros de curto prazo.
  5. aumentar as taxas de juros de curto prazo, alinhando- -as às taxas de juros de longo prazo.
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Gabarito

B

Comentário do professor

O objetivo do Quantitative Easing, segundo a lógica keynesiana, foi reduzir a demanda de moeda por fins especulativos ao intervir no mercado de títulos de médio e longo prazo.

O mecanismo funciona assim: o banco central compra massivamente esses títulos, aumentando a oferta de moeda e elevando seus preços. Como o rendimento de um título é inverso ao seu preço, as compras fazem cair as taxas de juros de médio e longo prazo.

Com juros longos mais baixos, manter moeda por especulação torna-se menos atraente, direcionando recursos para ativos produtivos e estimulando o investimento e a demanda agregada. Essa estratégia ajuda a enfrentar situações em que a taxa nominal curta está próxima de zero e a política convencional é insuficiente.

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