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Questão FC831741

— Compra, sim?

Ortografia

Pró Reitoria GP CP2 · 2019

Texto II

A PROFESSORA E A MALETA

A Professora era gorducha; a maleta também. A) A Professora era jovem; a maleta era velha, meio estragada [...].

A Professora gostava de ver a classe contente, mal entrava na aula e já ia contando uma coisa engraçada. Depois abria a maleta e escolhia o pacote do dia. Tinha pacote pequenininho, médio, grande, tinha pacote embrulhado em papel de seda, metido em saquinho de plástico, tinha pacote de tudo quanto é cor; não era à toa que a maleta ficava gorda daquele jeito.

Só pela cor do pacote as crianças já sabiam o que é que ia acontecer: pacote azul era dia de inventar brincadeira de juntar menino e menina; não ficava mais valendo aquela história mofada de menino só brinca disso, menina só brinca daquilo, meninos do lado de cá, meninas do lado de lá. Pacote cor-de-rosa era dia de aprender a cozinhar. A Professora remexia no pacote, entrava e saía da classe e, de repente, pronto! B) montava um fogão com bujãozinho de gás e tudo. Era um tal de experimentar receita que só vendo.

[...] E tinha um pacote branco que só servia pra Professora esconder e pra turma brincar de achar. Quem achava ia pro quadro-negro dar aula. [...]

No dia que Alexandre achou o pacote, resolveu contar pra turma como é que ele vendia amendoim na praia. No melhor da aula, um grupo de pais de alunos, que estava visitando a escola, entrou na sala. Quando a aula acabou, um deles perguntou pra Professora:

— A senhora está querendo ensinar meu filho a ganhar a vida vendendo amendoim?

A Professora explicou que Alexandre só estava contando pros colegas como era o trabalho dele, pra todos ficarem sabendo como é que ele vivia.

No outro dia saiu fofoca: contaram pro Alexandre que tinha um pessoal que não estava gostando da maleta da Professora.

— Que pessoal?

Um disse que era a diretora, outro disse que era uma outra professora, outro disse que era o pai de um aluno, outro falou que era o faxineiro, e foi um tal de um disse que o outro falou, que ninguém ficou sabendo direito. C)

Aí uns dias depois, choveu muito. [...] Quase ninguém foi à escola. Mas Alexandre foi. Entrou na classe e viu tudo vazio; chovia demais pra voltar pra casa; resolveu sentar e esperar. Lá pelas tantas a Professora chegou. Mas chegou sem a maleta. E com um jeito diferente, uma cara meio inchada, não contou coisa gozada, não riu nem nada. Sentou e ficou olhando pro chão. Alexandre achou que ela nem tinha visto ele:

— Oi!

Ela também disse oi, e continuou quieta. Depois de um tempo, Alexandre cansou de tanto ninguém dizer nada e falou:

— A chuva molhou sua cara.

A Professora nem se mexeu. Ele perguntou:

— Foi chuva?

Ela fez que sim com a cabeça. Alexandre resolveu esperar mais um pouco. Mas pelo jeito, a Professora tinha esquecido de dar aula. Será que era porque ela não tinha trazido a maleta? Arriscou:

— Cadê a maleta?

A Professora olhou pra ele sem saber muito bem o que é que dizia. Ele insistiu:

— Hem? Cadê?

— Perdi.

Ele se apavorou:

— Com tudo que tinha lá dentro?

— É.

— Os pacotes todos?

— É.

— O azul, o verde, o...

— É, é, é!!

Puxa, que susto! ela nunca tinha falado alto assim. Não perguntou mais nada, o coração ficou batendo, batendo, mas ela continuava sempre quieta, tão quieta que ele acabou não aguentando e perguntou de novo:

— Mas e agora? Como é que você vai dar aula sem a maleta?

— Não sei.

— Mas... escuta... você já procurou bem? — Ela fez que sim com a cabeça. — Botou anúncio no jornal? D) Diz que quando a gente bota anúncio quem acha dá pra gente. — Ela ficou quieta. — Botou?

— Botei.

— Ninguém achou?

— Não.

— Então como é que vai ser?

— Não sei.

— Dá jeito de você comprar os pacotes de novo?

— Não.

— Por quê? — Ela não disse nada. — Responde. Por quê?

— Eles vêm junto com a maleta; não vendem separado.

— Mas então compra outra maleta, pronto! — Ela ficou quieta de novo. E como o tempo ia passando e ela continuava sempre quieta, e a cara não secava nunca e não chovia lá dentro e a cara cada vez mais molhada, ele acabou pedindo:

— Compra, sim?

— Não dá, Alexandre. Eles não estão mais fabricando essas maletas hoje em dia.

E aí ele não perguntou mais nada. Ela também não falou mais. Até que a campainha tocou e a aula acabou.

BOJUNGA, Lygia. A casa da madrinha. 9. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1986.

“Tinha pacote pequenininho, médio, grande, tinha pacote embrulhado em papel de seda [...].”

Assinale a alternativa em que a palavra em destaque é acentuada pela mesma regra da palavra destacada na frase acima.

  1. “A Professora era gorducha; a maleta também.”
  2. “A Professora remexia no pacote, entrava e saía da classe e, de repente, pronto!”
  3. “[...] e foi um tal de um disse que o outro falou, que ninguém ficou sabendo direito.”
  4. “— Botou anúncio no jornal?”
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Gabarito

D

Comentário do professor

Anúncio é correto porque obedece à mesma regra de médio.

Ambas são paroxítonas, ou seja, a sílaba tónica é a penúltima. Além disso, terminam por um ditongo crescente (semivogal + vogal: por exemplo, i+o em «-cio»).

A regra diz que se acentuam as paroxítonas terminadas em ditongo crescente. Em anúncio (a-nún-cio) a sílaba tónica é «nún» e o grupo final «io» forma ditongo crescente, justificando o acento em «ú».

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