Questão FC831753
Texto I A PINTURA CORPORAL DO POVO XAKRIABÁ Quando nós nos pintamos, em momentos específicos, acreditamos que não é somente a pele que está sendo pintada, mas o próprio espírito. A
Morfologia
Pró Reitoria GP CP2 · 2022
Texto I
A PINTURA CORPORAL DO POVO XAKRIABÁ
Quando nós nos pintamos, em momentos específicos, acreditamos que não é somente a pele que está sendo pintada, mas o próprio espírito. A pintura corporal marca e demarca a identidade no contato entre o corpo e o espírito. O jenipapo é uma árvore de bom conhecimento, pois é dela que tiramos a tinta e com ela registramos a nossa cultura, o que nos dá fortalecimento.
O que é o tempo do jenipapo? Trata-se ainda de um tempo em que também não existia a presença de prédios escolares, mas em que se aprendia em outros lugares.
Ao longo da história do povo Xakriabá houve um período de muita perseguição por parte dos fazendeiros/grileiros da região. Durante esse tempo, os Xakriabá, para não serem perseguidos ou mortos, eram obrigados a deixar de se pintar e de usar elementos que demonstrassem a identidade de nosso povo. Tivemos que pensar em uma estratégia para guardar as pinturas corporais.
Por muito tempo, ao menos durante duas ou três décadas, as pinturas corporais foram então guardadas nas cerâmicas, e muitas dessas cerâmicas eram guardadas na terra. A cerâmica foi, portanto, um elemento muito importante, porque serviu mais tarde como um mostruário das pinturas corporais.
É necessário refletir sobre como a pintura carrega elementos de outra escrita corporal, com narrativas simbólicas portadoras de subjetividades, uma vez que o ato de colocar e receber a pintura no corpo é um ritual, um preparo do espírito. Não é apenas o desenho que se escreve na pele, mas o que marca no penetrar, fortalecendo as memórias dos antepassados, para as crianças e as futuras gerações.
XAKRIABÁ, C. “Amansar o giz”. PISEAGRAMA, Belo Horizonte, n. 14, p. 110-117, 2020. (adaptado).
O texto de Célia Xakriabá argumenta sobre os sentidos da pintura corporal para o povo indígena Xakriabá.
No primeiro parágrafo do texto, a autora adota como estratégia de convencimento do leitor o uso de
- substantivos com significação concreta.
- substantivos originários de línguas indígenas.
- verbos e pronomes em primeira pessoa do plural.
- verbos conjugados no pretérito imperfeito do indicativo.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A estratégia de convencimento adotada no primeiro parágrafo é o uso de verbos e pronomes em primeira pessoa do plural, que apresenta a voz coletiva do povo Xakriabá.
Exemplos claros aparecem em expressões como “nos pintamos”, “tiramos”, “registramos a nossa cultura”, que unem ação e posse à comunidade.
Esse recurso reforça a ideia de coletividade e transmite autoridade ética: o enunciador fala em nome do grupo, legitimando a tradição e o saber compartilhado.
Além disso, os verbos no presente conferem imediaticidade e continuidade ritual, tornando a prática da pintura corporal uma vivência atual e partilhada, o que favorece a identificação do leitor com a perspectiva comunitária.
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